Turismo rodoviário x turismo aéreo: entre a cruz e a caldeirinha

13/12/06 às 00:00 *Áurea Rangel
O setor de turismo aéreo já está amargando com a crise que se abateu no sistema aeroportuário brasileiro. Inseguras, as pessoas estão com medo de adquirirem pacotes ou de comprarem bilhetes sob o risco de não chegarem a seus destinos nos prazos corretos e amargarem horas em salas de embarque. O volume de vendas de pacotes turísticos para dezembro caiu 8%, segundo dados da Associação Brasileira das Agências de Viagem (Abav). Para a entidade, houve, neste ano, um aumento de cerca de 50% nas vendas de pacotes marítimos e 41% de rodoviários. Pesquisa da Fundação Getúlio Vargas (FGV) apontou queda na disposição de o brasileiro viajar de avião: de 45,2% em outubro para 35,7% em novembro.

Mas a opção por viagens rodoviárias carrega um outro problema na bagagem. Em recente avaliação, a Associação Nacional do Transporte de Cargas (ANTC) divulgou que 80% das estradas brasileiras são classificadas entre deficientes e péssimas. Resultado: o crescimento do tráfego de veículos por caminhos sem condições adequadas de sinalização ou pavimento promove o aumento de acidentes. O fato é que o turismo rodoviário no Brasil sofre com a falta de estradas viáveis para crescer na proporção que merece.

Para o presidente da Associação Brasileira de Concessionárias de Rodovias (ABCR), Moacyr Servilha Duarte, a alternativa para tornar as estradas brasileiras trafegáveis é somar os investimentos da iniciativa privada e cobrança de pedágios nos principais eixos com os investimentos públicos nas estradas secundárias.  Isso porque construir estradas não basta, se a otimização dos recursos das rodovias - sinalização, pavimento, serviços aos usuários - não forem constantemente aprimorados. A indústria brasileira do setor de sinalização, por exemplo, segue pela mão única buscando desenvolver produtos que aliem durabilidade, segurança e eficácia. Pode-se afirmar que - com recursos disponíveis e vontade de fazer bem feito - setores público e privado encontram aliados munidos de tecnologia e ótima relação custo X benefício para executar a infra-estrutura viária do País. Precisamos chamar a atenção para esta importante questão econômica o quanto antes. Para que o turista brasileiro não fique, apenas, a ver navios.

* Áurea Rangel é química, mestre em engenharia de materiais e diretora-executiva da Hot Line

1 Comentário

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Lotar Kaestner
Senti enorme vergonha ao viajar com turistas norte americanos e europeus pelas péssimas BR's vindo do Rio para Curitiba. Os turistas ficaram tontos de tantas curvas, pavimento irregular, com horrendas torrentes de caminhões. Nossos políticos corruptos, sem ideal, incompetentes governam uma república de banana. Em vez de transporte digital, temos tudo feito no braço. Os aeroportos são horríveis, com serviços de segunda classe...como se estivéssemos na África. Enquanto em Brasília roubam os cofres e querem se manter no poder até não ter mais nenhuma moeda no tacho.
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