Justiça e o marketing político

24/02/10 às 21:34 Sylvia Romano
Como advogada, fico indignada com o que vem ocorrendo com a Justiça Eleitoral que, pelo que tenho visto, neste momento acabou se tornando um instrumento de marketing eleitoral.
É um tal de denúncia, CPIs, compra de votos, abuso do poder econômico, apoios proibidos e por aí afora. Outro dia, li as regras das últimas eleições do que pode e do que não pode se fazer em termos de divulgação e cheguei à conclusão de que não se pode praticamente nada, ou melhor, pode se fazer muito subliminarmente e, em alguns casos, até explicitamente como vem fazendo o nosso presidente em sua vergonhosa e clara campanha eleitoreira voltada à sua candidata do coração.
As regras do último pleito beiram as raias do absurdo e se fossem levadas a sério, duvido que algum eleito se manteria no poder, pois todos de alguma forma quebraram tais normas acintosamente, indo contra tudo o que a lei prevê. Outra coisa que me preocupa nesta lei eleitoreira é que da maneira que ela está, é uma grande oportunidade para os que já estão eleitos possam se manter nele para sempre, impedindo que novos nomes surjam na política e que venham a se eleger tomando o lugar dos muito corruptos que estão há longa data encastelados no poder.Neste momento a bola da vez dos escândalos parece que é a do Partido Democrata (DEM) com a prisão do governador do Distrito Federal e, agora, com a cassação do prefeito de São Paulo Gilberto Kassab pelo recebimento de doações de campanha de várias empresas, que depois foram beneficiadas por grandes contratos com a cidade.
Tenho certeza que este partido incorreu em contravenção, mas não só ele, pois se houver interesse e vontade de quem deve fiscalizar — e se o fizer bem —, descobrirá que todos os outros partidos também fazem parte do mesmo esquema extorsivo de doações para campanhas políticas.
No meu entender só nos restam duas esperanças: uma é que a imprensa, ainda livre neste país, continue batendo forte, não se deixando enganar por ações jurídicas cujos intuitos são unicamente denegrir candidatos e partidos opositores. Já a segunda esperança é o voto consciente em outubro de todos os brasileiros, alijando do poder todos os que aí estão se locupletando do erário em benefício próprio.
É chegada a hora da renovação, não vamos reeleger ninguém, pois os que já elegemos muito pouco fizeram por todos nós. 

Sylvia Romano é advogada trabalhista, responsável pelo Sylvia Romano Consultores Associados, em São Paulo. E-mail: sylviaromano@uol.com.br

 

 
1 Comentário

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MARCUS ROGERIO
Tudo isso e aceitavel, tal a conjuntura politica.
Nunca aconteceu nesse Pais uma reforma Politica.
O que nao e aceitavel, e que esta mesma candidata (do PT) , que defende o aborto, a legalizacao das drogas,... mais tarde , vai invadir as IGREJAS evangelicas, com a BIBLIA e tudo na mao ; e muitos evangelicos vao votar nela.
Porque?
Porque nao ensinamos o povo a exercer a sua cidadania!!!
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