A próxima Bienal

09/03/10 às 00:00 nikp@uol.com.br
Ao contrário do que vinha acontecendo nas últimas edições da Bienal de São Paulo, mais precisamente com a 27ª Bienal, cuja fundamentação não se mostrou convincente, e muito mais ainda com a edição número 28 – com curadoria de Ivo Mesquita – parece que desta vez a situação da próxima Bienal aparenta bem maior consistência.

Para não repetir, na falta de orçamento compatível com o evento, o fiasco dos espaços vazios justificados por um possível diálogo com os visitantes e um escorregador gigante de parque de diversões, cuja função – para quem se atrevia a deslizar por 15 metros de altura – servia muito mais para facilitar uma rápida saída aos visitantes frustrados do que ser encarado como obra de arte, a atual presidência da Fundação Bienal já iniciou os trabalhos de organização da 29ª Bienal de São Paulo.

Depois da maior crise já enfrentada pela Fundação Bienal, fator que a levou a um rombo de R$4 milhões, e acrescento que a crise desta entidade vem de longa data, o que está sendo publicados nos jornais paulistas parece demonstrar que foram tomadas medidas saneadoras pela instituição e que elas já começaram a dar resultados positivos.

Em tempos mais recentes, o evento sempre esteve periclitando e vinha se equilibrando, apoiado principalmente na reputação pessoal de quem ocupasse a presidência da fundação.  Isso porque, como representante da entidade que vem funcionando desde 1951, com a finalidade específica de manter a estrutura física e funcional das edições da Bienal de São Paulo, a pessoa do presidente responde pelas verbas e possíveis patrocínios que viriam a cobrir os custos de realização. A presidência também seria respaldada por um conselho de notáveis, entre eles, o Ministro das Relações Exteriores e o do MinC, além do secretário de Cultura do Estado de São Paulo e o do município. Então, com a presidência agora ocupada por Heitor Martins, se iniciaram as tratativas de reformulação geral do evento e, o que é melhor, num processo claro de esforço conjunto ao agregar uma série de parceiros. Deste modo, totalizando 28 entidades já foi lançado, no dia 30 de novembro de 2009, o manifesto intitulado “Unindo Esforços durante a 29ª Bienal – São Paulo, Pólo de arte Contemporânea”. Entre os parceiros para a concretização do evento destacam-se o Museu de Arte Moderna de São Paulo, o Centro Cultural Banco do Brasil, a FIESP, o Instituto Tomie Ohtake, o Museu de Arte Contemporânea da USP, o SESC, o Itaú Unibanco, a Fiat, a Oi, o deutsche Bank, a Votorantim e a Klabin.

A parte mais importante do manifesto é descrita na frase em que se afirma que São Paulo, que inegavelmente é o mais importante centro de difusão de arte no país, se afirma em seu papel de divulgação de arte com ênfase para vir a se constituir como um dos principais polos de arte mundial.

Agora, na edição de 03 de março, a “Folha de São Paulo” vem confirmar     que as negociações para a realização de uma verdadeira Bienal já começaram a render seus frutos. Segundo o jornal, na reunião realizada em 1º de março, o Presidente Heitor Martins anunciou a quantia de R$23 milhões para a realização da sua próxima edição, cuja inauguração está prevista para 21 de setembro próximo. Ele também afirma que, ao redirecionar a captação de recursos via parceiros, foi mudado radicalmente o modo de entrada de recursos – que provinham diretamente da União, gerando atrasos na liberação das verbas. Ao declarar que agora está criado um mecanismo de maior engajamento dos parceiros – via captação de recursos diretamente com as demais parcerias – o presidente também comentou sobre um setor de captação seria criado e que até aqui nunca havia existido na Bienal.

Agora, depois de dada a partida para o evento, tem início o trabalho dos sete curadores que são os brasileiros Moacir dos Anjos e Agnaldo farias, o sul-africano radicado em Londres Sarat Maharaj, o angolano Fernando Alvim que mora na Bélgica, a espanhola Chus Martinez, a venezuelana Rina Carvajal que mora atualmente nos EUA e que já esteve presente na X Mostra de Gravura Cidade de Curitiba em 1992, mais a japonesa Yuko Hasegawa. Mundialmente reconhecida como uma das mais importantes bienais está em jogo o futuro do evento que parece já estar nos trilhos. Vamos ver o que acontece.
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