16º

Grupo cristão prevê onda de denúncias de filhos de sacerdotes

'A Igreja fracassou em sua ética sexual', sentenciou a presidente do grupo

01/04/10 às 00:00 - Atualizado às 17:58   |  Agência Estado

Após a avalanche de denúncias contra a Igreja por abuso sexual, o grupo austríaco de cristãos de base "Somos Igreja" adverte que uma nova onda de acusações se aproxima: a dos filhos de sacerdotes privados de uma vida familiar.

"A Igreja fracassou em sua ética sexual", sentenciou a presidente do grupo, Sabine Bauer, em entrevista coletiva na cidade austríaca de Graz. Bauer advertiu que os numerosos casos de abuso sexual de menores por parte de eclesiásticos católicos em vários países são só "a ponta do iceberg" de um problema que tem sua raiz em uma "moral sexual descarrilada, perniciosa para o corpo humano".

Ela chamou atenção para o sofrimento dos filhos de sacerdotes porque estes não reconhecem sua paternidade. "Depois das vítimas de abuso, eles serão os próximos que levantar acusações contra a Igreja", sentenciou Bauer.

"Não corresponde a mim dar números, mas sei que é muito alto. Para essas crianças falta exatamente aquilo que a Igreja exige: a vida familiar", denunciou.

Segundo a televisão pública ORF, Bauer assegurou que há muitas mulheres que mantêm relações secretas com sacerdotes e que existem filhos fruto dessas relações que não foram reconhecidos por seus pais, embora as dioceses costumem pagar alimentos a eles.

"A moral sexual da Igreja tem sua raiz no fato de que a sexualidade entre o homem e a mulher não é reconhecida como algo positivo", disse a presidente do "Somos Igreja".

Isso reflete, entre outras coisas, o tratamento das mulheres dentro da Igreja como "seres humanos de segunda classe".

A plataforma anunciou que apresentará por escrito à Conferência Episcopal e ao papa sua exigência de reformas drásticas que incluem o levantamento do celibato obrigatório e a abertura às mulheres de todos os cargos da hierarquia eclesiástica.

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