Diretor diz que saem do ar por opção

20/12/10 às 00:00

Na contramão dos boatos de que o “Casseta & Planeta” estaria saindo do ar por desgaste, o diretor José Lavigne fala à reportagem que eles estão saindo do ar por “opção”. E diz o que espera do humorístico.
Agência Estado — Qual foi a melhor novela de satirizar?
José Lavigne — Caminho das Índias foi sensacional. Aquelas dancinhas todas marcaram muito. A gente se divertia!
AE — E qual foi a mais difícil?
Lavigne — Todas as novelas do Manoel Carlos. As tramas têm muita mulher natural e isso é difícil para nós. Poxa, a gente só tem homem no grupo. Daí fica aquela coisa forçada, o programa vira um grupo de mocreias.
AE — E quando chegou o Silvio de Abreu, outra trama com o Tony Ramos, facilitou, né?
Lavigne — Nossa, muito. Quando é novela do Silvio a gente já espera algo mais caricato. E só de ter os pelos do Tony Ramos é demais. A nossa amizade com ele é um namoro antigo.
AE— A existência de tantos outros formatos de humor forçaram uma reformulação?
Lavigne — Olha, não é por aí. Os novos formatos são derivados da gente. No Pânico, que cada vez está melhor, a maioria tem 30 anos. Eles assistem ao Casseta desde os 12 anos. Agora, essa nossa pausa é porque estamos procurando o nosso prazer. Mudou tudo para nós, morreu a nossa estrela (Bussunda). É hora de repensar. Temos um crédito com a TV Globo que poucos têm.
AE — Você fala de mudanças, inclusive, no cenário político, que também faz parte das sátiras, né?
Lavigne — Mudou tudo, começamos com o (Fernando) Collor no poder, pegamos o impeachment, agora mudou tudo. O que mudou dentro da gente? Tudo! Éramos uns esfomeados, não somos mais. Morreu o Bussunda, cara. O Brasil foi pentacampeão.
AE–  Algum governo atrapalhou o trabalho de vocês?
Lavigne — Nenhum governo nunca se meteu com a gente. O Itamar (Franco) uma vez reclamou, porque ele é um cara chato. Tem horas que a política está muito forte. O mensalão teve um momento forte. Mas a política, no geral, passa batido para o povo brasileiro. O CQC, que trata só de política, dá seis pontos no Ibope.
AE — A Globo faz restrições no texto de vocês em relação à política?
Lavigne — Poucas vezes. Eu sou aquela pessoa que negocia isso. Concordo, discordo... às vezes a Globo cede, às vezes não cede.
AE — Você já citou duas vezes o Bussunda (morto em 2006, na Alemanha). Ainda sente falta dele?
Lavigne — Puts! No programa perdemos um patrimônio enorme. Ele era o cara que fazia o Lula, o Ronaldo...Você podia ainda colocar ele de Vera Fischer que era um tiro certo. E outra coisa era o conhecimento dele.
AE— Como será o novo “Casseta”?
Lavigne — Não tenho ideia disso. Mas o programa continuará semanal, para brigar com todo mundo no Ibope. Ser café com leite não me interessa. Estou na TV para disputar. Como vamos fazer, se vai entrar mais gente, nós vamos ver tudo isso.
AE — Aceitaria ter um integrante do CQC nesse formato?
Lavigne —Acho que caberia mais o pessoal do Comédia MTV. O CQC é muito segmentado, é muito chato! O negócio do “Casseta” é fazer piada. O pessoal do Pânico caberia. O CQC seria o último da nossa lista de parcerias. A Sabrina (Sato) é maravilhosa fazendo política. Ela tem uma elegância vulgar, ela não entende nada, mas a graça está nisso. Sou fanzoca dela, mas nunca estive com ela.

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