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Bancada de oposição cobra respostas para problemas do transporte coletivo

Para líder oposicionista, frequência de acidentes revela deterioração do sistema, que vem perdendo qualidade e passageiros nos últimos anos

24/01/11 às 00:00 - Atualizado às 10:42   |  Ivan Santos
Colisão entre dois ônibus na Travessa da Lapa: para oposição, “falha humana” também pode indicar sobrecarga de motoristas (foto: Valquir Aureliano)

A série de acidentes envolvendo ônibus em Curitiba não pode ser explicada apenas como fruto de casualidade e falha humana, mas sim como um claro sinal de que o transporte coletivo da Capital vive um processo de deterioração que se manifesta nessas ocorrências. A opinião é do líder da bancada de oposição na Câmara Municipal, vereador Pedro Paulo (PT), que cobra respostas mais objetivas da Prefeitura para os problemas que o sistema vem apresentando nos últimos anos.

Segundo o petista, a nova lei do transporte coletivo, aprovada em 2008 e a licitação realizada no ao passado até agora não deram os resultados esperados. Pelo contrário, a qualidade do serviço vem caindo, o que se reflete no crescimento do uso do transporte individual, o que resulta em mais problemas, como os constantes atrasos e superlotação, agravados pela lentidão do trânsito.

Logo no início do ano, um biarticulado e um ligeirinho se chocaram na Travessa da Lapa, no centro de Curitiba, ferindo 40 pessoas. Em junho de 2010, um motorista de outro ligeirinho perdeu o controle do veículo na Praça Tiradentes, que acabou invadindo uma loja e matando duas pessoas, além de deixar 32 feridos. Em outubro, outras onze pessoas foram feridas em outro em um acidente na Visconde de Guarapuava, envolvendo um biarticulado bateu em um caminhão guincho. A prefeitura e a Urbs, que gere o sistema, tem atribuído as ocorrências a falha humana, negando qualquer relação com problemas de gestão ou perda de qualidade do serviço. “Falha humana é possível em qualquer sistema. Agora o que preocupa é a frequência com que está acontecendo”, avalia o vereador. “É muito cômodo só dizer que a culpa é do motorista. Mas tem que ver porque ele falhou, se é por sobrecarga de trabalho, stress. Muitos motoristas trabalham sozinhos, têm que dirigir, dar o troco. Tudo isso também pode ser a origem dos problemas”, aponta.

O petista lembra que a prefeitura acenava, ao realizar a licitação das linhas, com a melhoria da qualidade e aumento da transparência do sistema. “Mas sinceramente até agora não vi nenhuma alteração ainda. Pelo contrário, os problemas com superlotação, acidentes, só aumentam”, diz.

Para o líder oposicionista, o grande problema é a acomodação e falta de autocrítica da Urbs, refratária a qualquer tipo de questionamento. “Curitiba já foi referência em termos de sistema de transporte coletivo, mas essa realidade mudou. A cidade cresceu, o número de veículos no trânsito aumentou muito. É preciso reconhecer os problemas para enfrentá-los”, cobra.

Na avaliação do vereador, essa acomodação acaba provocando um círculo vicioso, em que a administração municipal insiste em medidas paliativas, que a longo prazo não surtem efeito. “Enquanto tiver baixa qualidade, atrasos, as pessoas vão preferir o transporte individual. Não dá para continuar achando que está tudo certo”, alerta, lembrando que Curitiba hoje já é a capital brasileira com a maior proporção de carros por habitante do País. Enquanto isso, o transporte coletivo tem perdido passageiros nos últimos anos.

Entre as ideias defendidas pela oposição para reverter essa situação está a adoção de subsídios do governo municipal. Segundo ele, esse tipo de política é adotada em vários países, inclusive nações ricas, como forma de baratear as tarifas e incentivar o uso massivo do transporte coletivo. “O resultado justifica os subsídios”, defende. Outra medida seria a readequação das linhas, defasadas em relação à atual realidade da cidade.

Outra questão seria a ativação do Conselho Municipal do Transporte Coletivo, que segundo Pedro Paulo, na prática não funciona. O órgão deveria ser o responsável por assegurar a participação da sociedade civil no planejamento, fiscalização e avaliação dos serviços prestados. A maior parte dos conselheiros está diretamente ligada ou apóia a atual Administração Municipal. O presidente do Conselho é Marcos Isfer, que também preside a Urbs.

O vereador defende ainda maiores investimentos em prevenção de acidentes e educação no trânsito. Ele lembra que quando foi eleito prefeito pela primeira vez, em 2004, o hoje governador Beto Richa (PSDB) usou como bandeira de campanha o fim da “indústria da multa”.
Após eleito, porém, o número de radares e equipamentos eletrônicos de controle de tráfego se multiplicaram, assim como as multas, enquanto que os investimentos em prevenção e educação não evoluíram, apesar da lei prever que os recursos arrecadados com as multas tenham que ser necessariamente investidos nessa área.



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1 Comentário
  • José Aparecido Fiori 24/01/11 às 08:58
    E o que a prefeitura faz com tanto dinheiro que arrecada, o IPTU, por exemplo? Não sejamos bobos, os acidentes continuarão aumentando. E o que se vê é o interesse do poder público para que esses acidentes continuarão matando.