Depois de eleito, peruano revela planos a Lula

Novo presidente do Peru, Ollanta Humala, pretende reforçar atuação na Unasul e no Mercosul

10/06/11 às 23:22 Agência Brasil

O presidente eleito do Peru, Ollanta Humala, almoçou nesta sexta-feira (10), em São Paulo, com o ex-presidente da República Luiz Inácio Lula da Silva. Antes do encontro, Humala destacou a intenção em reforçar a atuação do Peru na União de Nações Sul-Americanas (Unasul) e no Mercosul, onde é membro associado.

“Nos interessa participar mais ativamente do Mercosul. Queremos conhecer mais os mecanismos do Mercosul e temos a intenção de fortalecer a Unasul. Creio que é um bloco importante”, disse o presidente peruano.

Lula avaliou que a Unasul está fortalecida, principalmente com a eleição de governos progressistas na América do Sul. Ele também cobrou dos Estados Unidos mais atenção à América Latina. “Os Estados Unidos não podem enxergar a América do Sul e a América Latina como primos pobres, como problema. Somos solução para muita coisa. Os Estados Unidos precisam diminuir seu olhar de guerra para o Afeganistão, Iraque e a Líbia e colocar um olhar de paz e desenvolvimento para o continente que mais vive em paz hoje que é a nossa querida América Latina”.

Humala destacou que, em seu governo, pretende “governar para todos os peruanos”, promovendo inclusão social. Uma das medidas que pretende implantar é um Conselho Econômico e Social, que “vai ser um instrumento importante para fazer acordos com todos os setores da produção nacional, empresários, trabalhadores e a sociedade civil organizada”.

“É importante a inclusão social. Vamos criar oportunidades de emprego para que as pessoas que queiram deixar o país não o façam por necessidade, mas por opção. Nossa prioridade serão as pessoas mais pobres”, disse Humala. Segundo ele, há cerca de 3 milhões de peruanos vivendo fora do país e cerca de 20 mil estão no Brasil.

Humala também prometeu instalar um hospital em cada província do país. Perguntado pelos jornalistas peruanos se as medidas não seriam apenas populistas, o presidente respondeu que os programas não vão ser clientelistas. “Com a saúde não se pode fazer populismo. Temos que respeitar o ser humano porque a saúde no Peru hoje é um privilégio, não um direito. E ela tem que ser um direito”.

Durante a entrevista, o ex-presidente Lula disse a Humala que a maior dificuldade do Peru para implantar os programas sociais será fazer um cadastro das pessoas pobres, para garantir que o dinheiro chegue a essas famílias mais necessitadas. “O cadastro dos pobres é parte essencial para a política social que o companheiro Ollanta quer fazer no Peru".

Depois de ter sido eleito no último domingo (5), Humala veio ao Brasil para encontrar-se com Lula e com a presidenta Dilma Rousseff. Na tarde de hoje (10), viajou para o Paraguai, mas retorna ainda esta noite para São Paulo, onde deve ficar hospedado até domingo sem compromissos oficiais. No domingo, embarca para Montevidéu, no Uruguai, para um encontro com o presidente José Mujica. No dia seguinte, embarca para Buenos Aires, na Argentina, onde se encontrará com a presidenta Cristina Kirchner. Na quarta-feira, o encontro será em Santiago, no Chile, com o presidente Sebastián Piñera.

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