ONU alerta para agravamento das torturas na Síria

Vídeo exibido por canal britânico mostra pacientes serem aparentemente torturados em hospital

06/03/12 às 00:00 Redação Bem Paraná com Reuters

Um vídeo contribuiu com as suspeitas de crimes contra a humanidade na Síria, disse na terça-feira o relator especial da ONU para casos de tortura. Exibido pelo canal britânico Channel 4, as imagens mostram pacientes e um hospital serem, aparentemente, torturados.

"Infelizmente essa nova acusação é consistente com o que meu mandato (departamento) tem recebido nos últimos meses. A nova acusação só se soma à gravidade da situação", disse Jesus Mendez em Genebra.

O Channel 4 exibiu na segunda-feira o vídeo, que teria sido gravado secretamente em um hospital público de Homs. Supostos funcionários do hospital aparecem torturando pacientes, alguns dos quais são vistos amarrados aos leitos, feridos e vendados. Um chicote de borracha e um fio elétrico aparecem sobre uma mesa.

A emissora disse que não podia verificar a autenticidade do vídeo.

Na terça-feira, o governo sírio enfrenta a indignação mundial por barrar a entrada de ajuda humanitária no bairro de Baba Amr, em Homs, que ficou devastado após quase um mês de cerco a forças rebeldes que fugiram de lá na semana passada.

Mendez, jurista argentino radicado nos EUA - ele próprio vítima de tortura em seu país natal durante a ditadura militar da década de 1970 - assumiu em outubro de 2010 o cargo de relator especial, e se reporta diretamente ao Conselho de Direitos Humanos da ONU.

Ele disse que no ano passado já havia recebido denúncias de uso excessivo da força contra manifestantes que pedem a renúncia de Assad. Agora, segundo ele, há relatos de abusos contra presidiários.  

Mendez recomendou que o Tribunal Penal Internacional investigue se há casos de crimes contra a humanidade ocorrendo na Síria. A alta-comissária de Direitos Humanos da ONU, Navi Pillay, já havia defendido o mesmo.

Também na terça-feira, o porta-voz de direitos humanos da ONU, Rupert Colville, disse que a entidade possuía gravações semelhantes à transmitida pelo Channel 4. "Pode até ser a mesma gravação que foi enviada à comissão de inquérito sobre a Síria", afirmou ele a jornalistas. "As imagens são realmente chocantes."

Essas imagens, segundo Colville, foram usadas na elaboração de um relatório sobre a Síria que serviu de base para um relatório da ONU, divulgado em fevereiro, que acusava as forças sírias de cometerem crimes contra a humanidade, incluindo torturas.

Segundo Colville, os autores das agressões seriam "forças de segurança vestidas como médicos, e supostamente agindo com a cumplicidade do pessoal médico".

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