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As artes marciais não são mais práticas exclusivas dos homens, e faz tempo

As academias têm registrado mais mulheres nas aulas e o espaço está ficando cada vez mais dividido, inclusive no badalado MMA

02/05/12 às 00:00 - Atualizado às 12:10   |   Amanda Kasecker

Já foi o tempo em que as academias de lutas e artes marciais eram dominadas pelos homens. Hoje em dia as mulheres invadiram esse universo e estão povoando — literalmente — essas aulas nas academias. Segundo o proprietário da Barreto Taekwondo, Marcelo Barreto, desde o ano passado, o número de mulheres matriculadas no seu empreendimento aumentou cerca de 30%.
“Nosso movimento já era grande porque proporcionamos algumas aulas em família, com crianças. Porém, depois do UFC no Rio de Janeiro e do apoio da grande mídia tivemos um aumento considerável”, afirma Barreto, que está no mercado desde 1997 e hoje possui quatro academias em Curitiba e mais três franqueadas fora do Paraná.
E não é a toa que muitas mulheres se sentiram atraídas para as lutas. Além de ser uma atividade bastante aeróbica, ou seja, que auxilia no emagrecimento, as lutas ainda contribuem para o desestresse e defesa pessoal: uma tríade que agrada qualquer mulher.


De acordo com Barreto, apesar da maioria das mulheres estarem procurando as lutas marciais para modelar o corpo, as aulas sempre tem a conotação de defesa pessoal e técnicas para se defender de ataques são ensinadas.
Rafaela Dorigo é uma das alunas da nova leva. Praticante de boxe há cerca de cinco meses, ela se interessou na atividade porque praticava musculação na mesma academia e estava “enjoada” desta prática. “Hoje não vivo mais sem. Não falto a uma aula”, conta.
Indicados para quem quer queimar gordurinhas indesejadas, tanto o boxe quanto o muay thai aumentam a capacidade cardiorrespiratória, melhoram o condicionamento físico, aliviam o estresse, melhoram a coordenação motora e o reflexo. O taekwondo, especialidade da academia de Barreto, também não fica atrás. Os exercícios trabalham especialmente a musculatura dos glúteos, abdômen e pernas e nos treinos de nível avançado chega-se a perder até 700 calorias em uma hora.
“É por isso que cada vez mais a luta tem ganhado praticantes. Ficar mais sarada e saudável e, além de tudo, aliviar a tensão são motivos que levam a mulherada a deixar de lado a ideia de que a luta é um esporte violento para render-se ao esporte”, afirma Barreto.


Existem até aulas aeróbicas criadas especificamente para simular movimentos de luta, que inclui socos e chutes desferidos no vazio, enquanto o aluno se movimenta pela sala de aula, também com grande quima de calorias.
E muitas das alunas gostam tanto, que até se arriscam em competições. Vanessa Rezende, de 36 anos, conta que começou a praticar há cerca de cinco anos e gostou muito do esporte. Hoje, ela é faixa preta no taekwondo e participa de competições. Carolina Prado, e Isabel Costa já estão um pouco mais avançadas. Desde crianças praticam a luta e colecionam títulos nacionais e mundiais. Isabel, por exemplo, é vice-campeã mundial.
Nos torneios nos Estados Unidos, as mulheres já são 49% do público; no Brasil, são 37%, segundo o promotor do Pink Fight, campeonato só de mulheres, que aconteceu no início deste ano em Campos (RJ).

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1 Comentário
  • Rafaela 03/05/12 às 15:50
    Amanda, parabéns pela matéria. Ficou show. Compartilhei no Face.