12º

PSDB se reúne para votar pedido de expulsão de Derosso

Fontes tucanas apontam que vereador pode deixar legenda por conta própria para evitar perda de mandato

07/05/12 às 00:00 - Atualizado às 14:37   |   Ivan Santos
Derosso: tucanos negociam saída de vereador por conta própria para evitar maiores traumas (foto: Franklin de Freitas)

As executivas estadual e municipal do PSDB se reúnem hoje para votar o pedido de expulsão do ex-presidente da Câmara de Vereadores de Curitiba, João Cláudio Derosso, implicado em denúncias de gastos irregulares com publicidade e contratação de funcionários “fantasmas”. A expulsão é defendida publicamente pelo presidente em exercício do PSDB e presidente da Assembleia Legislativa, deputado Valdir Rossoni, sob a alegação de que o partido não pode pagar pelos erros cometidos pelo vereador. Fontes tucanas apontam que Derosso pode pedir a desfiliação por conta própria, antes da expulsão, para evitar a perda de mandato.

O objetivo da cúpula do PSDB é evitar que o partido sofra desgaste nas eleições municipais deste ano na Capital, por conta das acusações que pesam contra o ex-presidente da Câmara. Os tucanos apoiam a reeleição do atual prefeito, Luciano Ducci (PSB), e temem que as denúncias acabem atrapalhando a campanha.

Por outro lado, a expulsão de Derosso poderia motivar retaliações do próprio contra a legenda, o que teria feito caciques do PSDB negociar com o vereador sua saída do partido espontaneamente. Caso seja expulso, o vereador corre o risco de perder o mandato e ser substituído pelo suplente Edson do Parolin. Já se sair por conta própria, ele não poderá concorrer à reeleição, mas poderá cumprir o restante do mandato, até o início do ano que vem.

Presidente da Câmara Municipal por quinze anos, Derosso viu sua situação mudar depois que em meados do ano passado, veio à tona investigação do Tribunal de Contas que revelou gastos de mais de R$ 30 milhões com publicidade entre 2006 e 2011. Entre as empresas contratadas estavam a Oficina da Notícia, de propriedade da jornalista Cláudia Queiroz, esposa do vereador. Na época da licitação, ela ocupava cargo comissionado na Câmara. A lei proíbe que servidores participem de licitações ou mantenham contratos com os órgãos onde trabalham.

No final de 2011, Derosso se licenciou do cargo depois que o Ministério Público o denunciou por improbidade administrativa. Em março, acabou renunciando para evitar a abertura de um processo de cassação, após perder o apoio do partido e dos vereadores da base governista.

Em abril, o MP entrou com nova ação na Justiça, acusando Derosso de contratar cinco funcionários “fantasmas”.  A ação atingiu ainda o ex-vereador Edhen Abib, irmão do ex-diretor geral da Assembleia, Abib Miguel, o Bibinho, que está preso sob a acusação de tentar atrapalhar o processo no qual é apontado como líder de um esquema de desvio de recursos e contratação de “fantasmas” no Legislativo estadual. E o servidor João Leal de Matos, que teria ocupado simultaneamente cargos na Câmara e na Assembleia. Por conta disso, a Justiça determinou o bloqueio de bens do ex-presidente da Câmara no valor aproximado de R$ 1,6 milhão.

Nepotismo — Ainda em abril, em outra ação, o MP acusou Derosso de nepotismo. O motivo foi a contratação de sua sogra, Noêmia Queiroz Gonçalves dos Santos, e de sua cunhada, Renata Queiroz Gonçalves dos Santos, para cargos comissionados na Câmara.

Desde o início das denúncias, o vereador nega as acusações, alegando que os gastos com publicidade foram legais, e negando favorecimento. Derosso atribui as denúncias à perseguição política e ao interesse de adversários em desgastá-lo por ele ter sido cotado como candidato a vice-prefeito.

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