Paranaenses batem boca em CPMI

Deputados Fernando Francischini (PSDB) e Dr. Rosinha (PT) só não trocaram socos porque houve intervenção de outros parlamentares

25/05/12 às 00:00 - Atualizado às 08:46 Da Redação
Alvaro Dias e Rubens Bueno tentam conter Francischini (foto: Antônio Cruz/ABR)

Dois deputados federais paranaenses que integram a Comissão Parlamentar Mista de Inquérito que investiga os negócios do empresário Carlos Cachoeira bateram boca na sessão de ontem e só não trocaram agressões graça a intervenção de outros parlamentares. O confronto envolveu os deputados Fernando Francischini (PSDB) e Dr Rosinha (PT). Os dois discutiram rispidamente durante o depoimento do ex-vereador de Goiás, Wladimir Garcez (PSDB), apontado como um dos principais auxiliares do Cachoeira.

Francischini e o deputado Carlo Sampaio (PSDB/SP) acusaram o relator da CPMI, deputado Odair Cunha (PT-MG) de direcionar a investigação visando atingir o governador de Goiás, o também tucano Marconi Perillo. “Quando o relator faz perguntas sobre a Delta nacional e o governador Agnelo, ele é tchutchuca. Quando pergunta sobre o governador Perillo, ele é tigrão”, disse o parlamentar do PSDB paranaense.

Rosinha não gostou e acusou o tucano de usar a comissão para se promover na mídia. Segundo ele, alguns parlamentares usam “palavras de efeito” nas sessões abertas para “aparecer”. Francischini reagiu ficando em pé e se dirigindo ao petista. O embate só não se transformou em confronto físico pela intervenção de outros dois paranaenses da comissão, o senador Álvaro Dias (PSDB) e o deputado federal Rubens Bueno (PPS).

“Não admito que alguém me diga que eu não tenho moral para criticar o relator. Um relator que é tchuchuca quando a questão envolve o PT, e é tigrão quando envolve o PSDB. Fiquei de pé para mostrar minha indignação”, disse Francischini mais tarde.”Minha intenção era apenas mostrar o seguinte: quando a CPI é secreta, há um tipo de comportamento, quando é pública, há deputados que usam um palavreado que não é correspondente ao ambiente”, alegou Rosinha.

Após o bate boca entre os membros da comissão sobre transformar a CPI num ringue político entre PT e PSDB, a senadora Kátia Abreu (PSD-TO) propôs eleições para a vice-presidência da próxima sessão - que ocorrerá na próxima terça. O presidente da CPI acolheu o pedido.

Para o deputado Sérgio Sampaio, a atuação do relator não pode se pautar para “inviabilizar este ou aquele partido” e sim pela lógica investigativa. Segundo ele, Cunha fez as perguntas a Garcez sobre a relação dele com o governo goiano.”Não me parece que este seja um caminho correto”, afirmou. “A função dele não é representar um partido e sim representar o parlamento”, completou, para quem o relator estaria atendendo “ao reclamo palaciano”.

Sampaio disse que a atuação com o governador do Distrito Federal, o petista Agnelo Queiroz, não foi questionada pelo relator. Ao responder o deputado do PSDB, Odair Cunha preferiu não polemizar com ele. “Eu não vou fazer julgamento sobre as perguntas que vossa excelência faz nesta CPI”, disse. Cunha disse que Garcez foi vereador do PSDB, influenciava negócios do partido e lembrou que, na última pergunta que fez, questionou sobre as relações que tinha com o governo do DF. “Se ele pertence aos quadros do PSDB, não é minha responsabilidade”, disse.

1 Comentário
Thiago
Me fale uma ilação direta do Cachoeira com Agnelo. Não tem, sempre é com um político perto de Agnelo, mas não direto. Agora Marconi comprou a casa que foi até do bicheiro, inquestionável isso.
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