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Disputa pela prefeitura de Curitiba começa em clima de “guerra”

Na largada da campanha, prefeito Luciano Ducci (PSB), Gustavo Fruet (PDT) e Ratinho Júnior (PSC) trocam farpas e sinalizam eleição tensa

02/07/12 às 00:00 - Atualizado às 12:04   |  Ivan Santos
Ducci com Richa: cobrança de coerência é mote de prefeito

A disputa pela prefeitura de Curitiba começou em clima de “guerra”, com os principais candidatos trocando farpas mútuas e indicando desde já uma campanha “quente” e acirrada. Tanto o prefeito Luciano Ducci (PSB), que tenta a reeleição, quanto os candidatos de oposição Gustavo Fruet (PDT) e o deputado federal Ratinho Júnior (PSC) aproveitaram as convenções que confirmaram suas chapas e alianças no último final de semana para mostrar suas “armas” e dar o tom do que será a corrida sucessória na Capital.

Ducci, auxiliado pelo seu principal “padrinho”, o governador Beto Richa (PSDB), criticou a inexperiência dos adversários e voltou a alfinetar Fruet, a quem seu grupo acusa de ter “mudado de lado” ao se aliar ao PT. O pedetista, por sua vez, colocou em dúvida a propalada “coerência” da coligação que sustenta a candidatura do prefeito, atribuindo-a ao interesse fisiológico de quem quer sempre estar ao lado do governo. Ratinho Júnior, da sua parte, reafirmou sua condição de "independente”, apontando ainda que ao contrário dos adversários, sua candidatura não está atrelada nem aos grupos que controlam as atuais administração municipal e estadual, nem ao governo federal.

A aliança de Ducci reuniu quinze partidos – incluindo além do PSB, PPS, PSDB, DEM, PRB, PRP, PTB, PTC, PSL, PP, PTN, PMN, PHS e PSDC. O último a confirmar a participação na coligação foi o PSD, que liberou, porém, os filiados, a apoiarem candidatos outros candidatos à prefeitura. A coligação apresentou ainda cerca de 500 candidatos a vereador. “É uma aliança forte, ampla, representativa e com grande inserção em todos os setores de Curitiba. Isso porque a gente não pode vacilar, entregar a cidade que é referência nacional e mundial, nas mãos de quem é inexperiente, novato e amador”, afirmou o prefeito durante a convenção de sábado que confirmou a coligação e a chapa, que tem o deputado federal Rubens Bueno (PPS) como candidato a vice.

“Quero ver os adversários dizerem que Curitiba retrocedeu. Não é verdade. O trabalho que está sendo feito é reconhecido pelo governo federal, pelas Nações Unidas, e por diversas entidades nacionais e internacionais. Para quem muda de lado, a resposta vem nas urnas”, afirmou Richa, em nova referência a Fruet, que deixou o PSDB do governador por falta de espaço para sua candidatura e se aliou ao PT.

O prefeito e seu grupo insistem na tese da continuidade administrativa para preservar os indicadores sociais e econômicos da cidade. “O Paraná tem hoje um eixo político muito forte. É um estado que mais cresce no cenário nacional. Eu acompanho esse crescimento e vejo o trabalho que está sendo feito. E Curitiba é a força motriz de todo esse desenvolvimento alcançado. E nós não podemos deixar que todo esse trabalho que vai avançar ainda mais, seja comprometido de agora em diante”, disse Rubens Bueno.

Já o candidato do PDT foi na direção contrária, criticando a falta de ousadia e inovação da atual administração no enfrentamento dos problemas da Capital. E rebatendo as críticas sobre a suposta falta de coerência de sua aliança. “Alguns falam em coerência, mas sai governo, entra governo, estão sempre no mesmo lugar. Coerência, para mim, é saber o limite das concessões. Quando elas vão além, é preciso recomeçar”, disse, afirmando que não entrará em “provocações” dos adversários.

Novo — Ratinho Júnior mostrou mais uma vez que pretende vender seu nome como a única “novidade” da campanha, em contraposição a Ducci, apoiado pelas máquinas estadual e municipal, e Fruet, amparado pelo PT e o governo federal. “O novo é nossa maneira de fazer política. Só nossa atitude de sair candidato a prefeito, montando uma aliança sem vender a nossa consciência, essa é nossa diferença. Nós sim temos coerência no que estamos oferecendo para Curitiba. Nossa coragem de sair contra as máquinas e os padrinhos”, afirmou, ao portal Vanguarda Política. “Eu não tenho ministro coordenando minha campanha. Eu não tenho governador escolhendo meu vice. Nossa aliança não pensa em 2014. Pensa em cuidar de Curitiba”, disse o deputado, que escolheu o arquiteto e urbanista Ricardo Mesquita como candidato a vice.

Completam ainda a lista de candidatos majoritários em Curitiba o ex-prefeito Rafael Greca e a candidata a vice, Marinalva da Silva, ambos do PMDB; Alzimara Bacellar e Cláudio Fajardo, pelo PPL; e Bruno Meirinho e Sueli Fernandes, pelo PSOL. O quadro completo de candidatos só será conhecido a partir de quinta-feira, quando termina o prazo para o registro oficial dos mesmos na Justiça Eleitoral.

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2 Comentários
  • Jairo 02/07/12 às 21:49
    Se foi o tempo que Curitiba era a cidade modelo. Por aqui vemos pessoas morrendo em filas de atendimento nos postos de saúde, ruas esburacadas e sujas, violência, assassinatos, drogas por toda parte, autoridades omissas e fazendo propaganda enganosa sobre a cidade, além de uma polícia fraca e inoperante. Ligar para o 190 e para uma porta em Curitiba é a mesma coisa.
  • Luiz Alceu P. Jorge 02/07/12 às 20:34
    Nem os governos estadual e municipal tiveram ousadia para enfrentar os insolúveis problemas que atingem nosso e
    Estado e Município quanto a saúde pública e a segurança publica. Não adianta serem destinadas verbas para o transporte (metro), embelezamento de vias públicas, construção de estádio para a copa, enquanto o povo fica desprotegido naquilo que é primordial para o seu bem estar e de seus familiares. Chega de discurso prometendo mundos e fundos, quando nem mesmo o principal, o básico, sequer foram atendidos. Acredito no novo, no político técnico que conheça efetivamente o que falta para a população. Chega daqueles que querem se perpetuar no poder. Acredito que Curitiba estaria bem servida com a eleição do Gustavo Fruit ou do Ratinho Junior. Os demais são temerários.