Coritiba empata e fica sem o título da Copa do Brasil

Placar de 1 a 1 deu a taça ao Palmeiras, que havia vencido o primeiro jogo

11/07/12 às 23:57 - Atualizado às 15:44 Lycio Vellozo Ribas
O meia-atacante Roberto, do Coritiba, é derrubado por Marcos Assunção, do Palmeiras, no Couto Pereira: campo molhado foi uma das desculpas pelo fracasso (foto: Franklin de Freitas)

Não deu para o Coritiba ser campeão da Copa do Brasil. Na noite de quarta-feira (11), o time paranaense empatou com o Palmeiras em 1 a 1, no segundo jogo das finais da competição, no Couto Pereira. E isso não bastou para o título. Tudo porque o primeiro duelo, em Barueri (SP), havia terminado com vitória paulista por 2 a 0. A combinação dos placares deu o título à equipe do técnico Luiz Felipe Scolari.

O fracasso de 2012 remete ao que aconteceu na final da Copa do Brasil do ano passado. Na ocasião, o Coritiba perdeu o primeiro jogo para o Vasco (1 a 0), no Rio de Janeiro, e venceu o segundo (3 a 2) em casa. Inferior nos gols fora de casa, o time paranaense viu a equipe carioca festejar dentro do Couto Pereira. Neste milênio, aliás, apenas duas equipes se sagraram campeãs da Copa do Brasil em casa: Cruzeiro, em 2003, e Sport, em 2008.  

O Coritiba nunca foi campeão da Copa do Brasil – ao contrário do Palmeiras, que havia levado o título em 1998, na época também sob o comando de Scolari. Com essa nova conquista, a equipe paulista garantiu vaga na Copa Libertadores de 2013.

Ao perder a segunda final seguida, o time paranaense se igualou ao Flamengo, que em 2003 e 2004 também foi duas vezes vice-campeão. Os outros times que disputaram duas decisões consecutivas – Grêmio, em 1993/94 e Corinthians, em 2001/02 e 2008/09 – perderam a primeira e venceram a segunda.

Após o fracasso, o Coritiba tem apenas o Brasileirão para se preocupar – ao menos enquanto não começa a Copa Sul-Americana. A equipe volta a campo neste sábado, as 21 horas, quando enfrenta a Ponte Preta, em Campinas, pela 9ª rodada. Atual 16º colocado no Nacional, com 7 pontos, o time de Marcelo Oliveira corre risco de ir parar na zona de rebaixamento. Segundo o treinador, a má colocação no Brasileirão era um preço a pagar por ter chegado à final da Copa do Brasil.

Jogo

Antes do jogo começar, a torcida coxa-branca – que lotou o estádio – executou o “Green hell”, uma festa com fogos, papel picado e luzes em verde e branco. “Essa festa acho que nunca vi. Atualmente é difícil isso”, falou Marcelo Oliveira.

Marcelo Oliveira armou o Coritiba no 4-2-3-1 de sempre. Na lateral-direita, Jonas substituiu Ayrton, que não se recuperou totalmente de uma lesão no tornozelo e ficou na reserva. Na zaga, Démerson assumiu o posto de Emerson, suspenso. Em compensação, o técnico pôde contar com os retornos do volante Sérgio Manoel (que estava suspenso no primeiro jogo) e do meia-atacante Roberto, recuperado de lesão muscular. No Palmeiras, o zagueiro Henrique estava acometido por uma febre – falou-se que chegou a 39ºC – mas foi medicado e entrou como primeiro volante no 4-4-2 de Scolari.

Assim que o árbitro Sandro Meira Ricci estrilou o apito inicial, o Palmeiras cometeu uma falta, em Roberto. Eram apenas 3 segundos de jogo, mas o lance mostrou que o time paulista estaria bem fechado, amarrando a velocidade coxa-branca a todo custo, para defender a confortável vantagem de dois gols obtida no primeiro jogo.

O Coritiba, como era de se esperar de um time que precisava de três gols, foi para cima. E não conseguiu furar o bloqueio adversário. Apesar da pressão, criou pouco. Na primeira etapa, foram apenas cinco finalizações, todas para fora – e apenas uma levou perigo. Do outro lado, Vanderlei teve que fazer uma defesa difícil, em chute de Juninho, e Marcos Assunção incomodava com as bolas paradas. “Temos que ter calma”, falou o volante Willian, na saída de campo.

Para o segundo tempo, o Coritiba voltou com uma mudança na lateral-direita: Ayrton, mais ofensivo, em vez de Jonas, mais defensivo. “Tem que ir para a frente”, falou Oliveira. O time dominou territorialmente, mas não mostrou uma pontaria afiada – fora três chutes, todos para fora. Aos 14 minutos, o treinador trocou o volante Sérgio Manoel pelo meia Lincoln. Pouco depois, o meia foi derrubado por Artur, perto da área. E Ayrton, na cobrança, fez 1 a 0, aos 16 minutos. Fo a primeira finalização certa do Coritiba na partida – e o segundo gol de falta em toda a temporada.

Entretanto, quatro minutos depois Roberto fez falta em Juninho, perto da área coxa-branca. Marcos Assunção cobrou e Betinho (ex-Coritiba), de costas para o gol, desviou de cabeça: 1 a 1. Com isso, o time da casa precisaria novamente de três gols. Ciente disso, Oliveira trocou Roberto por Anderson Aquino e colocou o time no 4-4-2. Em seguida, Rafinha reclamou de um pênalti sobre si, cometido por Juninho, não marcado pelo árbitro.

Nos últimos 20 minutos, o Coritiba levou uma bola na trave, chutada por Marcos Assunção, e tentou os gols na base do abafa. Anderson Aquino forçou o goleiro a uma boa defesa e Rafinha acertou a trave. Foi pouco para alcançar um placar que lhe desse a redenção. No fim, Pereira fez seguidas faltas e acabou melancolicamente expulso.

Coritiba 1 x 1 Palmeiras

Coritiba

Vanderlei; Jonas (Ayrton), Pereira, Démerson e Lucas Mendes; Willian, Sérgio Manoel (Lincoln), Rafinha, Everton Ribeiro e Roberto (Anderson Aquino); Everton Costa. Técnico: Marcelo Oliveira

Palmeiras

Bruno; Artur, Maurício Ramos, Thiago Heleno (Leandro Amaro) e Juninho; Henrique, Marcos Assunção, João Vítor (Márcio Araújo) e Daniel Carvalho (Luan); Mazinho e Betinho. Técnico: Luiz Felipe Scolari.

Gols: Ayrton (16-2º), Betinho (20-2º)

Cartões amarelos: Juninho, Rafinha, João Vítor, Artur, Marcos Assunção, Henrique, Lincoln, Pereira

Expulsão: Pereira (46-2º)

Árbitro: Sandro Meira Ricci (DF)

Local: Estádio Couto Pereira, em Curitiba, ontem


Lances do jogo

 

Primeiro tempo

2 – Rafinha cobra escanteio e Everton Costa cabeceia para fora

5 – Everton Ribeiro recebe de Willian e bate de fora da área, por cima do gol

10 – Rafinha cobra falta de longe, para a área. Bruno afasta de soco. A bola para Everton Ribeiro, que cabeceia fraco. A zaga domina a jogada

12 – Betinho recebe na área e faz o pivô para Mazinho, que rola para Juninho. Ele chuta e Vanderlei manda para escanteio. Após a cobrança de Marcos Assunção, Daniel Carvalho manda para fora

19 – Marcos Assunção cobra falta para a área. Betinho surge nas costas da zaga e, de frente para o gol, toca para fora

27 – Marcos Assunção bate falta de longe, com força. A bola passa perto do ângulo direito e sai

28 – Everton Costa ganha de Thiago Heleno e rola para trás. Rafinha chuta de primeira, cruzado, com perigo, mas para fora

34 – Daniel Carvalho puxa contra-ataque e rola para Mazinho, que finaliza de fora da área, mas para fora

39 – Sérgio Manoel bate de longe, por cima do gol

44 – Roberto apanha sobra da defesa e chuta de fora da área, para fora

 

Segundo tempo

4 – Ayrton bate falta de longe A bola sai à esquerda do gol

7 – Everton Ribeiro gira e toca para Everton Costa, que bate a gol. A bola resvala na zaga e leva perigo, mas sai

8 – Ayrton apanha sobra da defesa e chuta de longe, mas para fora

14 – Marcos Assunção cobra falta lateral direto para o gol. Vanderlei defende

16 – Gol do Coritiba. Ayrton cobra falta e acerta o canto direito do goleiro

20 – Gol do Palmeiras. Marcos Assunção cobra falta. Betinho, de costas, ganha no alto de Everton costa e desvia, de cabeça, para o canto direito

28 – Marcos Assunção cobra falta lateral, pela esquerda do ataque, e acerta a trave esquerda de Vanderlei

32 – Anderson Aquino chuta de longe. A bola desvia em Márcio Araujo e quase encobre Bruno, mas ele recua e consegue a defesa

36 – Rafinha recebe na meia-lua, dribla dois marcadores e bate no canto direito. A bola vai na trave e sai

42 – Henrique recebe perto da área e finaliza, mas para fora

45 – Everton Ribeiro finaliza por cima do gol

 


 

No Couto

Tcheco
O meia Tcheco — que havia prometido aposentadoria após essa partida — deixou no ar a possibilidade de continuar a jogar, pelo menos mais esta temporada. "Vamos conversar. Alguns queriam que um ficasse, outros não se manifestaram. Tem que ver", falou.

Incidentes
Na saída do jogo, a Polícia Militar registrou algumas ocorrência de violência entre torcedores, como rojões disparados e quebra-quebra nas imediações da Rua Mauá.

2 Comentários
Marcos
Bi Vice , não desistam de lutar pra não cair pra segundona , e o Tcheco beiçudo encrenqueiro pode se aposentar .KKKK .
J.Netto
Como disse o Lincon, o COXA está em ascensão....kkk "não vivemos de altos e baixos. Mantemos uma regularidade" - destacou o jogador. VERDADE LINCON mais uma vez vc's são VICE kkkkk
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