14º

Trabalhador deve ficar atento à postura e ao peso

Doenças da coluna respondem pela principal causa das licenças médicas, segundo o INSS

31/07/12 às 00:00 - Atualizado às 21:26   |  Agência Brasil
Francisco de Assis, trabalhador da Ceasa: embalagens de 20 kg (foto: Foto: Agência Brasil)

As doenças de coluna correspondem a cerca de 30 casos de aposentadorias para cada grupo de 100 mil beneficiários da Previdência Social (Instituto Nacional de Seguro Social -INSS), além de estar entre as principais causas de licenças médicas. A maioria dos afetados são homens, principalmente de idade mais avançada. A forma de levantar um peso e a massa do trabalhador com relação à do objeto devem ser observadas para se evitar danos à coluna.
Enquanto alguns ortopedistas recomendam que uma pessoa deve levantar no máximo o equivalente a 50% do seu peso, outros preferem uma recomendação menos genérica, que individualize a capacidade do ser humano para carregar determinado peso, de acordo com as suas condições físicas e da saúde em geral. Há ponderação, nessas recomendações, no que se refere às mulheres, pois normalmente são tidas como menos fisiologicamente formadas para tarefas pesadas.          

       
A Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) estabelece que o trabalhador pode carregar até 60 quilogramas (kg), mas no âmbito internacional a Niosh (National Institute for Ocupational Safety and Health), órgão internacional que fixa normas para a questão, determina o limite de 25 kg no exercício das tarefas laborais. Esse é o critério seguido nos países europeus.
Projeto de Lei (PL 5.746/05) que foi aprovado no Senado e encaminhado para a Câmara dos Deputados reduz de 60 kg para 30 kg a carga máxima que um trabalhador pode carregar individualmente, alterando o Artigo 198 da CLT que trata desse limite. Os 60 kg fixados na legislação brasileira foram adotados há mais de um século.
A Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) e o Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia (Inmetro)  não fixam patamares para os equipamentos em função da força física do trabalhador. A explicação das assessorias de imprensa dos dois órgãos é de que as comissões internas de prevenção a acidentes de trabalho das empresas “cuidam dessas questões de interesse dos empregados”. 


A Norma Técnica 17, do Ministério do Trabalho e Emprego, que trata de ergonomia, estabelece que todos os equipamentos colocados à disposição do trabalhador devem estar adequados às características psicofisiológicas destes e à natureza do trabalho a ser executado. O uso de equipamento mecânico de ação manual para levantamento de material “deve ser executado de forma que o esforço físico seja compatível com a capacidade de força e não comprometa a saúde ou a segurança” de quem o executa.
O presidente da Associação Nacional de Medicina do Trabalho (Anamt), Carlos Campos, que é médico e ergonomista, opina que “há um conjunto de condições que precisam ser observadas” para se avaliar o peso que uma pessoa deve carregar “sem prejudicar a saúde”.
Isso inclui, conforme explica o médico, uma série de situações ligadas às condições da pessoa e ao tipo da carga: o tempo que vai ser empregado para o seu  deslocamento; o esforço que vai ser feito para retirá-la de onde está colocada, e a forma com que ela vai ser conduzida pelas mãos, além da observância de detalhes sobre a manipulação com o auxílio de equipamentos. 


Além disso, diz Carlos Campos, “tudo vai depender de onde está o peso, se está no solo, a que distância do corpo de quem vai carregar, quanto se vai ter que encurvar a coluna para pegá-lo”. Segundo ele, “quanto mais perto do corpo o peso estiver,  tanto melhor será para o conforto de quem vai transportá-lo”.  Para o especialista, é  preciso  levar em conta também quanto tempo levará a tarefa e com que frequência será executada ao longo do dia.
O trabalhador Francisco de Assis (45 anos) transporta mercadorias na Central de Abastecimento do Distrito Federal (Ceasa) e diz que em geral são embalagens que pesam em torno de 20 quilos. Devido ao peso, diz que “não há nenhum problema” em colocá-las no caminhão.

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