16º

Crítica ao metrô marca programa de Greca

Candidato do PMDB defende rede de transporte com viadutos elevados e monotrilhos

10/08/12 às 00:00 - Atualizado às 20:48   |  Ivan Santos
Greca: peemedebista diz que metrô é “fantasia cara” (foto: Valquir Aureliano)

O ex-prefeito Rafael Greca (PMDB) tem dito que decidiu “sair de casa” e se candidatar a um novo mandato de administrador da Capital para combater o projeto de metrô proposto pela atual gestão. E essa intenção fica evidente no plano de governo apresentado pelo peemedebista, que ao invés do metrô subterrâneo, defende a implantação de uma rede de transporte elevado com monotrilho. Não por acaso, a questão da mobilidade é o primeiro item do programa do candidato.

Greca inicia sua análise apontando que o sistema de transporte público de Curitiba “exauriu-se”. E que “o metrô é uma fantasia cara, inexecutável, irresponsável e que só dá ar da graça de quatro em quatro anos, e some depois de passada a eleição”, afirma ele, que governou a cidade entre 1993 e 1996, sucedendo o terceiro mandato do seu então aliado, o ex-governador Jaime Lerner, com quem rompeu em 2002 para juntar-se ao PMDB do senador Roberto Requião.

O candidato argumenta que com o mesmo recurso previsto para o trecho inicial de quatorze quilômetros de metrô, é possível fazer uma Rede de Monotrilhos três vezes mais extensa, integrando toda a cidade. E propõe que unido a isso, sejam criadas faixas exclusivas para a circulação de bicicletas, bicicletas elétricas e carros elétricos. “A idéia é reservar parte das vias públicas para transporte não poluidor. Modernizar e tornar mais eficiente a rede existente”.

Outra forma de desafogar o trânsito, prega, é escalonar os horários de trabalho, de funcionamento do comércio, dos bancos, dos escritórios, das indústrias e das repartições e das escolas, “para que todos não saiam às ruas ao mesmo tempo”. E construir baterias de trincheiras, de rotatória, além de promover a sincronização dos semáforos.
Outra proposta é construir estações rodoviárias nos bairros. “Curitiba cresceu, a Região Metropolitana cresceu também e continuamos tendo apenas uma rodoviária, no centro. Descentralizar a rodoviária, em vários pontos de partidas”, defende, prometendo ainda o “fim dos radares, substituídos, quando realmente necessário, pelas lombadas eletrônicas”.

Energia solar — Além do monotrilho, cujo impacto urbanístico é questionado por especialistas, Greca demonstra ainda não ter medo de propostas polêmicas e ousadas. É o caso, por exemplo, do projeto “Curitiba + Energia”, que segundo ele prevê a geração de energia solar através de um parque de usinas fotovoltáicas com a meta de atingir em médio prazo o abastecimento da rede de iluminação pública. E ainda garantiro consumo de eletricidade de escolas, creches, postos de saúde, hospitais, e outros prédios públicos.

A base do programa será um Parque Foto-voltáico Energético (PFE), que segundo o candidato, consiste na instalação de plantas (parques de geração de energia) em 270 hectares de áreas degradadas, nos antigos aterros sanitários da Caximba e da Lamenha Pequena, parques públicos, como o Parque das Pedreiras do Pilarzinho e o Parque Regional do Iguaçu, o ex-lixão da CIC na colina entre o Rio Barigui e Contorno Sul, além de terrenos ociosos.

Para administrar a geração e a comercialização dessa energia, Greca propõe a criação da Curitiba + Energia, uma empresa de economia mista. A empresa seria responsável pela instalação de 30 plantas energéticas de painéis foto-voltáicos. “Com uma área final de 270 hectares produziremos no horizonte de até 4 anos, 150 Megawatts – entre 5 e 30 megawatts é o potencial energético de uma PCH”, estima.

O peemedebista garante ainda ser possível inaugurar “uma nova creche por semana”, para zerar o déficit de vagas no setor. Ao mesmo tempo propõe a redução de 5% para 3% na alíquota do Imposto Sobre Serviços (ISS), ressalvando que isso dependerá do “impacto no orçamento municipal”.

Promete ainda a construção de dez novos Centros de Especialidades Médicas e Odontológicas e 50 novos parques de lazer.

PONTO A PONTO
As propostas do plano de governo de Rafael Greca
• Rede de Transporte Coletivo com monotrilho e/ou Veículo Leve sobre Trilho (VLT), complementar à rede existente;
• Faixas exclusivas para a circulação de bicicletas, bicicletas elétricas e carros elétricos;
• Construção de baterias de trincheiras, de rotatórias e sincronização dos semáforos;
• Uma nova creche por semana, até atender toda a demanda;
• Escolas Integrais nos bairros populares;
• Mais 50 Liceus de Ofícios;
• IPTU zero para casas populares de até 100 metros quadrados;
• Redução do ISS de 5% para 3%;
• Construção de dez novos Centros de Especialidades Médicas e Odontológicas;
• Construção de mais 10 Centros de Atendimento Psico-social;
• Mais 50 parques com áreas de lazer;
• Parques de geração de energia solar.

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1 Comentário
  • Elias Teixeira Krainski 08/05/13 às 23:31
    O custo elevado, devido à necessidade de escavação, é implicado pela diferença de altitude ao longo do trecho pretendido. Se observar-mos o mapa de população por bairro de Curitiba em 2010, verificamos que esse trajeto não atenderá os bairros mais populosos. Um trajeto Sítio Cercado – Boqueirão – Centro tem a vantagem de pouca diferença de altitude, reduzindo o custo, e de o Sítio Cercado e o Boqueirão serem o 2º e 4º bairros mais populosos. Os 115 mil habitantes do Sítio Cercado teriam como melhor alternativa ir pelo Boqueirão ao centro, aliviando o corredor Pinheirinho-Portão. Além disso, seria fácil, e útil, ter um ramal até do Boqueirão ao aeroporto. Ass.: Elias Teixeira Krainski