Seis por meia dúzia?

05/10/12 às 00:00 Osvaldo Luiz

Fez sucesso na internet a frase atribuída a Eça de Queiroz: “Políticos e fraldas devem ser trocados de tempos em tempos pelo mesmo motivo”. Pode ser que não tenha sido cunhada bem assim pelo escritor português, já que na web prevalecem adaptações livres, para horror dos profissionais em Direito Autoral. Mas o pensamento parece ter partido mesmo do grande escritor de nossa língua.

O sucesso da frase é bem fácil de se compreender. “Nunca na história deste país” a popularidade dos políticos foi tão baixa. O julgamento do mensalão só coroa a consciência nacional de que aqueles que ocupam cargos públicos estão distantes do ideal de ética e honra. Daí a solução parece óbvia: mudança! Aliás, uma resposta aparentemente rápida e segura: colocar outros no lugar.

Só que mudar não é sinônimo de melhorar. Também se muda para pior. E o critério, de se escolher alguém apenas porque é novato, pode ser mais nocivo do que parece. Pois pode nos eximir de pesquisar sobre o passado do candidato, valendo-se do pensamento comum, que no final todos se deixam contaminar pela corrupção e se mostram “farinha do mesmo saco”. Também nos desobriga de visitar, por exemplo, o site do TSE (http://divulgacand2012.tse.jus.br/divulgacand2012/ResumoCandidaturas.action) e verificar os dados, bens, prestação de contas e processos dos que estão na disputa para prefeito e vereador.

Não é verdade que todos os políticos não prestam. Como nas demais áreas de atuação profissional há os bons e ruins. É o distanciamento da população em relação à política e aos políticos que faz gerar esse nivelamento por baixo. Votamos na eleição e depois “abrimos mão” de acompanhar os trabalhos. A participação nas sessões de câmara é irrisória e na prefeitura só se vai quando surge uma pendência.

Outro perigo de se achar que todos são iguais, é que se cria espaço para o famoso “rouba, mas faz”. Na verdade, isto significa se contentar com as “migalhas que caem da mesa”. Mesmo que o caminho da ética e honestidade pareça mais longo, a sociedade já tem obtido progressos como a chamada Lei da Ficha Limpa, maior controle das administrações públicas pelos Tribunais de Conta e as ações do Ministério Público e da Justiça.

Enfim, ainda dá tempo de pesquisar o passado dos candidatos, averiguar o que cada um faz fora da política, conhecer suas propostas e votar com responsabilidade em 7 de outubro.

Osvaldo Luiz Silva é jornalista, autor do livro Ternura de Deus, pela Editora Canção Nova, e encerra seu segundo mandato como vereador em Cachoeira Paulista-SP. Não se candidatou em 2012

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