Descendo a Serra na Páscoa

27/03/13 às 00:00 Por Rodrigo Browne - naesquinadomundo@gmail.com

Um bom programa para quem não vai viajar durante o feriado da Páscoa é aproveitar o tempo livre e descer de trem até Morretes – uma das mais antigas cidades do Paraná, fundada em 1721, que fica no pé da Serra do Mar. É um passeio que dura apenas um dia e pode render boas lembranças não só do visual, mas, também, da gastronomia local especializada no prato típico paranaense: o barreado.

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O acesso de Curitiba para essa cidade histórica pode ser feito de carro (de preferência na encantadora Estrada da Graciosa) ou de trem (tarifas a partir de R$65 por pessoa). Se o dia estiver muito bonito, escolha a segunda opção. O passeio de trem é uma experiência marcante. A ferrovia, inaugurada em 1885, hoje é operada pela Serra Verde Express (www.serraverdeexpress.com.br), empresa concessionária que leva diariamente dezenas de turistas em seus vagões numa viagem de quase três horas.

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O trem sai de Curitiba às 8 horas e chega em Morretes às 11h10. No caminho, além da vegetação exuberante, o passageiro observa cachoeiras, rios e vales. É preciso, no entanto, que o dia esteja bem aberto, do contrário a sensação será de estar dentro de uma nuvem e não é possível enxergar quase nada.
Em Morretes acontece um fenômeno parecido com o de Santa Felicidade. Os restaurantes, por conta do sucesso do prato típico, servem exatamente o mesmo cardápio: barreado e frutos do mar. É preciso estar atento na hora da escolha. Uma boa pedida é o Madalozo um dos restaurantes mais antigos da cidade. Localizado às margens do rio Nhundiaquara – que começa na serra e serpenteia a cidade -, o local é disputado por turistas nas épocas de alta temporada, chegando a lotar seus 550 lugares.

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Mas o que é exatamente o barreado? É um ensopado feito em panela de barro fechada, com carne de segunda (lombo), bem temperada, com cozimento de aproximadamente 12 horas. A descrição não parece boa? a aparência também não é. Mas, quando bem preparado o barreado é uma delícia. A carne fica macia e saborosa, sendo misturada no prato com farinha de mandioca bem fininha e servido com fatias de banana por cima.

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Existem algumas versões sobre a origem do barreado, a mais aceita pelos paranaenses é que o prato ganhou esse nome por conta da expressão "barrear" a panela, com um pirão de cinza e farinha de mandioca, para evitar que o vapor escape e o cozido seque depressa. De influência portuguesa o Barreado originário dos sítios dos pescadores, com o decorrer do tempo, passou para as cidades litorâneas, onde é cultivado há aproximadamente 200 anos nos municípios de Antonina, Guaraqueçaba, Guaratuba, Morretes e Paranaguá. Bom feriado e boa Páscoa!

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Rodrigo Browne
naesquinadomundo@gmail.com

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