Amor e preconceito em Lucíola, de José de Alencar

16/07/13 às 00:00 Por Gilberto Alves da Rocha

Amor e preconceito em Lucíola, de José de Alencar
A obra Lucíola, de José de Alencar (1862), é narrada em 1ª pessoa por Paulo, jovem que acabara de se formar em Direito, saído de Pernambuco e recém-chegado ao Rio de Janeiro. As ações transcorrem no século XIX, a partir de 1855 (data da chegada de Paulo à capital do Brasil, à época).  Veja alguns pontos importantes:

. Lúcia vê em Paulo um “canal de purificação” para seu drama íntimo, já que não se apaixonara pela “cortesã”, mas pela “mulher” Lúcia.
. Semelhante recurso (o do “canal de purificação”) é utilizado por Alexandre Dumas Filho, em A Dama das Camélias. A relação intertextual entre as obras é evidente e, no próprio livro de Alencar, há uma cena em que Paulo e Lúcia conversam a respeito do texto de Dumas Filho.
. A cor local, elemento tipicamente romântico, está presente também em Lucíola.
. Lúcia demonstra ter consciência do seu papel de “pecadora” (“mulher demônio”) e, em várias situações, aceita tal condição como parte de sua “autopunição” por ter desonrado a sua família. Mesmo assim, parece que tudo o que Lúcia faz/sente não é suficiente para que ela se puna por completo e a morte surge, ao final da narrativa, como a verdadeira purgação de seus atos.
. A mudança para a chácara simboliza a tentativa da protagonista de se desligar de sua vida de pecados e a intenção de iniciar uma vida representada não mais pelo amor físico, antes constante, até mesmo no convívio com Paulo, mas, marcada, agora, pelo amor espiritual.

 

Gilberto Alves da Rocha é professor de Literatura Brasileira no Curso Apogeu.

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