Mensalão I e II

19/11/13 às 14:48 Ayrton Baptista

O que está ocorrendo em Brasília, com as acomodações jurídicas e funcionais do Mensalão, pode não ser o capítulo final desse caso que dominou a política nos últimos anos. Mais uns dias e tudo se arrumará com os réus já condenados. Há recursos que serão apreciados brevemente e o Supremo Tribunal Federal deverá ir resolvendo caso a caso, até pelo inusitado do fato que prendeu a atenção de todos principalmente no último ano. A transmissão direta pela TV das sessões do STF fez com que brasileiros não chegados aos termos jurídicos naturalmente formassem uma audiência recorde no horário.

Se o Mensalão ainda não acabou sua apreciação global, bem que demorada, marca um capítulo único na Justiça brasileira. A dificuldade em acomodar os presos em Brasília ou onde de direito, mostra não ter havido um preparo na espera dos condenados. Talvez tal fato possa isentar os membros do Supremo por não terem se antecipado para com os resultados colhidos já que as decisões foram técnicas e não políticas.

Se depender das forças governistas federais, cúpula do PT inclusa, não convém provocar argumentos que levem este caso até o próximo ano pois a oposição iria agradecer a extensão de debates acerca do tema, desfavoráveis, claro, às preensões de uma reeleição da sra. Dilma Rousseff, de outros líderes governistas também. Pode causar problemas na campanha que o PT deseja conquistar o reduto paulista, no empenho de eleger o sucessor de Geraldo Alckmin e por aí afora, podendo atingir, por que não, a própria sra. Gleisi Hoffmann, por mais distante que esteja ela dos episódios que tantos problemas causam ao seu partido. Uma campanha nesse sentido, de lembrar permanentemente os acontecimentos anti-petistas, sabe-se como começa. Difícil é prever o seu desenrolar e o desfecho em termos eleitorais.

Há uma grande esperança petista. Na verdade, duas. O problema chamado “Mensalão Mineiro”, envolvendo o hoje deputado Eduardo Azeredo, governador de Minas Gerais em 1998, com semelhanças ao Mensalão propriamente dito. E os escândalos que estão sendo apurados sobre a construção e compras necessárias para o metrô paulistano, citando-se com frequência os nomes de Mario Covas, Geraldo Alckmin e José Serra, governadores tucanos que governaram o poderoso estado em fases diversas mas todos alcançando problemas com os fatos que lhes querem imputar ou aos seus períodos de Governo.

Seria exagero dizer-se que ao contrário do que se pensa o caso do Mensalão na verdade não terminou porque ainda tem muito para começar. Se assim for, essa quente campanha que cedo começou promete uma continuidade sem fim, passando em cheio por todos o ano de 2014, levando de roldão a Copa do Mundo, e , principalmente, o espaço destinado aos debates políticos dentro da campanha eleitoral.

Na verdade, 2014 está aí. Talvez antecipa-lo político e eleitoralmente não constitua novidade. Da política brasileira, sobremodo de suas campanhas eleitorais, tudo se pode esperar, até nada. Pois no meio do caminho não tinha uma pedra. Tinha sim um acordo. Assim tipo vamos passar por cima.

Ayrton Baptista, jornalista

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