Latifúndio improdutivo

02/09/14 às 00:00

Pesquisa Datafolha divulgada no último final de semana aponta que 46% dos eleitores não demonstra qualquer interesse em assistir ao horário eleitoral. Quem por curiosidade ou dever profissional acompanha esses programas sabe muito bem o porque de tamanho desprezo de boa parte da população. Com dois blocos diários de longos cinquenta minutos cada, esse espaço se transformou em um grande latifúndio midiático improdutivo, um deserto de ideias, e um desfile de aberrações de toda a sorte, que depõe contra a própria democracia. E isso está longe de ficar restrito aos chamados candidatos de partidos “nanicos”, pois os concorrentes dos grandes partidos também não conseguem esboçar qualquer informação ou conceito que empolgue e traga algum avanço para o debate político. Para piorar, ao contrário do que muitos imaginam, o horário eleitoral só é “gratuito” para os partidos e seus candidatos, pois custa ao bolso do contribuinte R$ 850 milhões em impostos que as emissoras deixam de pagar para ceder esse espaço.

Brincadeira
O candidato do PTC ao governo, Tulio Bandeira diz que “a propaganda do governo é uma brincadeira”, e que “não adianta ter helicóptero e não ter uma dipirona no posto de saúde”.

No tranco
O PRTB de Geonísio Marinho colocou no ar propaganda em que policiais aparecem empurrando uma viatura. E diz que depois que o carro pegar, o cidadão que precisa da polícia pode ter que esperar mais, pois pode estar sem gasolina.

Plantão
Geonísio garante que se ele for eleito, crimes como os que resultaram no assassinato da menina Tayná Silva e Raquel Genofre serão solucionados.

Memória
O dia 30 de agosto – que virou data marcada pelas reivindicações dos professores por conta do confronto com a polícia no governo Alvaro Dias (PSDB) em 1988 – foi destacado por diversos candidatos nos últimos dias. Gleisi Hoffmann (PT) colocou no ar depoimentos de professores reclamando do excesso de alunos por sala e problemas de infraestrutura nas escolas. A candidata petista referiu-se ainda à “forma truculenta como certos governos tratam os professores”.

Seletivo
O 30 de agosto foi lembrado ainda no programa de Roberto Requião (PMDB), e do candidato ao Senado, Ricardo Gomyde (PCdoB). Requião só esqueceu que integrava o grupo político do governo Álvaro Dias, a quem sucedeu no cargo com o apoio do então governador.

Terrorismo
Requião lembrou ainda que o consumidor deve receber a conta de luz com aumento de 25%. “É uma bordoada”, apontou a campanha do peemedebista, que ainda fez uma ameaça, dizendo que ou o eleitor “troca de governador, ou em 2015 vem mais um aumento de 40%”.

Antídoto
Alvaro tentou se defender como pode. Também exibiu depoimentos de professores elogiando-o. E lembrou que em seu governo, instituiu a gratuidade do ensino nas universidades estaduais.

Enquadrado
Um dos mais ferrenhos defensores da aliança com o PSDB de Beto Richa, o deputado estadual e ex-secretário do Trabalho do atual governo, Luiz Cláudio Romanelli, deu as caras ontem no programa do PMDB. Mas não pediu votos diretamente para Requião. Apenas apareceu, como os demais candidatos, com a imagem do senador no fundo.

Marinando
O candidato do PRP ao governo, Ogier Buchi, que até a semana passada ignorava o fato de seu partido integrar a coligação que apoia Marina Silva (PSB) à presidência agora, depois que a ex-ministra despontou como favorita nas pesquisas, jura ser Marina desde criancinha. Passou a exibir o a imagem da candidata em seu programa.

Caso verdade
O programa do governador e candidato à reeleição, Beto Richa (PSDB), exibiu ontem o caso de uma senhora de mais de 100 anos de idade que passou a vida morando em uma tapera na região de Ortigueira, e que recentemente passou a ter casa própria graças a um programa de sua administração. Dona Dalvina garante que agora quer viver ainda mais para aproveitar a vida na nova casa.

Visita
Richa também apareceu em uma visita ao um conjunto residencial em Paranaguá. Conversou com uma beneficiada que disse antes morar em área de risco. O governador ensaiou uma pequena autocrítica afirmando saber “que ainda há muito o que fazer”, mas argumentando que “as bases estão colocadas”.

Municipal
Borges dos Reis (PSC) é candidato a deputado estadual, mas apresenta-se com uma pauta que mais parece de vereador. “Quem faz asfalto deve fazer calçada”, disse, defendendo que o poder público assuma a responsabilidade pelo serviço, hoje cobrado do cidadão.

 

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