Fenômeno Marina “esfria” campanha no Paraná

05/09/14 às 00:00 - Atualizado às 08:47

A ascensão de Marina Silva (PSB) na disputa presidencial em meio à comoção provocada pela morte de Eduardo Campos parece ter colocado a eleição para o governo do Paraná em segundo plano. Diante dos contornos dramáticos do episódio envolvendo Campos e depois, do crescimento vertiginoso de Marina nas pesquisas, os olhos do eleitorado se voltaram para a sucessão presidencial, “esfriando” a campanha estadual, que inicialmente dava sinais de que seria emocionante. Para quem assiste e acompanha os programas eleitorais, a sensação que se tem é de que os três principais candidatos ao governo entraram no “piloto automático”, e não conseguiram mais atrair mais a atenção do eleitor. O maior beneficiado por esse cenário é o governador e candidato à reeleição, Beto Richa (PSDB), que com muito mais tempo de TV e rádio e maior volume de campanha nas ruas, tende a ver sua posição de liderança consolidada, enquanto os dois oposicionistas, Roberto Requião (PMDB) e Gleisi Hoffmann (PT), patinam sem conseguir criar fatos novos que possam abalar a vantagem do tucano. Resta saber se no mês final da disputa, o peemedebista e a petista terão forças e capacidade para mudar esse panorama desfavorável.

Gente que faz
Com a oposição neutralizada, Richa segue aproveitando o amplo espaço que tem no horário eleitoral para exibir histórias de pessoas beneficiadas por programas de sua administração. Na quarta-feira à noite, a principal estrela da propaganda do tucano foi a primeira-dama e secretária da Família, Fernanda Richa, que visitou três pessoas beneficiadas pelo programa Família Paranaense.

Milhagem
A primeira-dama garantiu conhecer a realidade dessas famílias “não por relatórios”, mas porque seu trabalho foi “visitá-las onde quer que morem”. Em seguida, a propaganda tucana exibiu o quadro “Na estrada com Beto”, mostrando as viagens do governador pelos 399 municípios do Estado.

ProUni
Gleisi Hoffmann também aposta em relatos de pessoas beneficiadas por programas governamentais, só que da administração Dilma Rousseff. Na quarta-feira à noite, exibiu depoimentos de eleitores que tiveram acesso ao ensino superior graças ao ProUni.

Regionalização
A petista tem investido na regionalização de programas federais. Sua última proposta é criar o Pronatec Paraná – voltado a cursos técnicos. Com Dilma patinando nas pesquisas, a dúvida é se essa estratégia vai surtir efeito em intenções de voto.

Salvador da pátria
Requião prometeu “por a casa em ordem, tirar o Paraná do vermelho”, reduzir a conta de lulz, congelar a tarifa de água, “salvar a Copel e a Sanepar”, entre outras medidas.

Onipotência
O peemedebista perde a eleição, mas não perde a megalomania. Ontem, garantiu que se eleito, “as estradas do Paraná serão novamente as melhores do Brasil”.

Laranjice
Outra promessa de Requião foi levar a informática “a todas as salas de aula”, incluindo a distribuição de tablets para professores e alunos. Os adversários já se perguntam se os equipamentos serão da cor laranja, como os famosos televisores adquiridos pelo peemedebista em seu último governo, que rapidamente viraram trambolhos completamente defasados tecnologicamente.

Beijo gay
Luciana Genro (PSOL) criticou Dilma por acabar com o programa “Escola contra a homofobia” por pressão de líderes religiosos. E exibiu cenas de homossexuais se beijando, além do depoimento do deputado federal Jean Willys, ex-ganhador do Big Brother.

To na minha
Depois de virar alvo prioritário dos adversários, Marina Silva tratou de se defender ontem. Sem entrar no mérito das críticas que tem recebido, manteve a fleugma afirmando que não pretende desperdiçar o pouco tempo que tem com “ataques e agressões”.

Sou mais eu
Marina voltou a investir na estratégia que tem dado certo até aqui de se colocar como uma alternativa à polarização entre PT-PSDB. Disse que sua ideia é “manter as conquistas do passado, mas olhar para o futuro”.

Bateu, levou
Diante dos questionamentos sobre como pretende viabilizar financeiramente suas promessas, a candidata do PSB rebateu: “Não ouvi ninguém perguntar de onde vinha o dinheiro quando destinaram R$ 500 bilhões do BNDES” para determinados setores, sem que isso constasse do orçamento federal.

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