Dilma e as “dores do nascimento”

11/09/14 às 00:00

Acuada pela nova onda de denúncias de corrupção envolvendo a Petrobras e sua base de apoio político, a presidente e candidata à reeleição, Dilma Rousseff, usou quase todos os doze minutos de seu programa para abordar o tema. O argumento principal foi o mesmo que já vem sendo apresentado pelo governo e pelo PT nos últimos tempos: o de que o fato de mais casos de corrupção virem à tona não significa que ela aumentou, mas sim que ela estaria sendo mais combatida. Dilma fez questão ainda de pontuar que até hoje nenhuma denúncia atingiu ela pessoalmente, e que ela também nunca agiu para “varrer nada para debaixo do tapete”. A presidente alegou que “não há um único país do mundo que não tenha casos de corrupção”, e que o problema central é não permitir a impunidade. Para concluir, a petista apontou que “a demagogia cria a falsa impressão de que tudo piora”, e que o País não pode ter medo de “enfrentar as dores do nascimento de um novo Brasil”.

Superpoderes
Dilma também afirmou que nas eleições, “alguns candidatos tentam passar a ideia de que acabar com a corrupção dependam apenas de um superhomem ou de uma supermulher que estejam acima do bem e do mal”. E que está “combatendo a corrupção não como palavras vazias, como tantos outros, mas com medidas concretas”. A julgar pelo noticiário, o esforço não está tendo muito resultado.

Sentimento difuso
A estratégia da campanha de Dilma é tentar combater o sentimento difuso que se espalha entre os eleitores de que nunca houve tanta corrupção no Brasil quanto em seu governo. Sensação essa reforçada pelas denúncias mais recentes envolvendo a Petrobras, e que atingem em cheio parlamentares e políticos de sua base. O problema é que esse sentimento atingiu um nível que parece quase impossível revertê-lo a essa altura.

Dedo na ferida
Marina Silva (PSB) posa de boa moça, paz e amor e tal, mas também não perdeu a oportunidade de espicaçar Dilma por causa dos problemas da Petrobras. Disse que a empresa perdeu metade do seu valor e aumentou quatro vezes sua dívida.

E agora?
Marina disse que apesar disso, a Petrobras tem jeito. E que isso passa por “gerenciar sem influência política, valorizar os técnicos e funcionários”. Detalhe: Paulo Roberto Costa, ex-diretor da estatal que agora aponta a existência de um esquema de desvio de dinheiro para financiamento de políticos é funcionário de carreira da empresa desde 1978, tendo sido nomeado diretor da mesma no governo Fernando Henrique Cardoso.

Surfista
Caetano Veloso não poderia perder a oportunidade de surfar na onda de Marina. E claro, com um “papo odara” de que ela representa o “desejo orgânico” de mudanças do povo brasileiro.

Privilégios
O programa da petista destacou que mais do que a corrupção em si, é preciso estar atento a políticas econômicas equivocadas que tiram dinheiro do trabalhador para direcioná-lo ao bolso de alguns privilegiados. Tudo para atacar novamente a proposta da adversária de dar autonomia ao Banco Central.

Não me deixem só I
Por mais que tente, Aécio Neves (PSDB) não consegue se livrar da impressão de que caminha para a “cristianização”. Também abordou o caso da Petrobras, lembrando que quando denunciou desmandos na companhia foi acusado de tentar desmoralizar a estatal. E garantiu que vai “lutar até o último instante”.

Não me deixem só II
O candidato do PSDB também apelou para o depoimento de uma série de caciques tucanos, entre eles o governador Beto Richa, o senador Álvaro Dias, Geraldo Alckmin, Fernando Henrique e o ex-desafeto José Serra.

Pet shop
Candidato à reeleição, Álvaro Dias protagonizou o momento ternura da propaganda de ontem. Chamou a atenção ao aparecer em seu programa apresentando o cachorro poodle de nome Hugo Henrique. A aparição foi usada para divulgar o projeto apresentado pelo tucano que proíbe o uso de animais em pesquisas e desenvolvimento de produtos farmacêuticos e cosméticos. “É um tema que interessa a todas as pessoas sensíveis deste País que gostam de animais como eu gosto do Hugo Henrique”, explicou o senador.

Frustração
Álvaro não consegue esconder que sua vontade mesmo era ser candidato ao governo. Voltou a lembrar de seu tempo no Palácio Iguaçu, destacando a economia de US$ 103 milhões na construção da Usina de Segredo. “É impossível avaliar quanto o povo ganha quando elege um governador honesto”, argumentou.

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