O incrível candidato que encolheu

16/09/14 às 00:00

As eleições de 2014 mostram um novo fenômeno – o descolamento quase que total das disputas estaduais e presidenciais. O exemplo mais contundente é o do presidenciável do PSDB, Aécio Neves. O tucano simplesmente não conseguiu repetir até aqui o desempenho dos outros candidatos do partido no Estado, e muito menos sequer pegou carona na popularidade do governador e candidato à reeleição, Beto Richa (PSDB). Em 2006, Geraldo Alckmin bateu Lula no Paraná no primeiro turno por 53,01% a 37,9%. Em 2010, José Serra venceu Dilma por 43,94% contra 38,94%, apesar de enfrentar na época uma candidata impulsionada pelo auge da popularidade do governo do PT. Atualmente, enquanto Richa está acima dos 40% de intenção de voto, Aécio amarga um distante terceiro lugar, com 22% das intenções de voto, segundo o Ibope da semana passada, contra 34% de Marina Silva e 28% de Dilma. E nada indica que ele tem perspectivas reais de reverter isso nos próximos 20 dias. Aliás, a própria propaganda de Aécio na televisão dá sinais de cansaço e desânimo, não conseguindo esconder o clima de “cumprindo tabela” - papel que parece ter restado ao tucano.

Patamar
No plano estadual, a candidatura de Gleisi Hoffmann (PT) também vive situação semelhante. Os índices de intenção de voto da senadora e ex-ministra de Dilma estão bem abaixo da presidenciável. E abaixo até dos porcentuais históricos do PT no Paraná.

Fastio
A candidata petista, inclusive, já também demonstra sinais de abatimento em sua própria propaganda. Por vezes, Gleisi parece entediada e impaciente em seu programa.

Garganta
Campanha eleitoral não é para qualquer um. Dilma também já parece cansada em sua propaganda. Esforça-se para sorrir e evitar o tom áspero que caracteriza a fala da presidente, mas a própria Dilma não consegue esconder o peso da jornada dupla de governante e candidata, o que pode fica claro, inclusive, na voz rouca da petista.

Ecumênica
Com as dificuldades enfrentadas na campanha, a candidata do PT ao governo apela para o sobrenatural e a fé. Gleisi exibiu depoimentos de um pastor evangélico e de uma freira em seu programa de sexta-feira à noite.

Metropolitana
Os prefeitos de Pinhais, Luizão Goulart e de Campo Largo, Affonso Guimarães – ambos municípios da região metropolitana de Curitiba – também foram escalados pelo PT para tentar dar capilaridade à candidata do partido.

Varejo
O programa de Beto Richa abordou o crédito a micro e pequenas empresas oferecido em sua administração através da Fomento Paraná. A lista de beneficiados vai de taxistas, a academias de ginástica e fábrica de puxadores de móveis.

Ciclochatos
Em tempos politicamente corretos, até a apresentadora do programa do tucano tem que andar de bicicleta. Se duvidar, também tem que ser vegetariana.

Antecipação
Requião também falou das microempresas, mas para malhar o sistema de substituição tributária adotado no atual governo, que segundo ele, cobra o imposto na fábrica, mesmo que o varejista não tenha vendido o produto.

Aperto
O peemedebista garantiu que se eleito, no primeiro dia de posse assina a lei do imposto zero. E em seguida, disse que aperta a mão do pequeno empresário para que ele repasse a isenção ao consumidor, reduzindo preços. Considerando o histórico de Requião com a imprensa, que inclui aí torcer o dedo de um repórter inconveniente, pode ser perigoso.

Ingenuidade
Marina diz que cansou de colocar a camisa do Lula e combater os preconceitos contra ele. “Nunca imaginei que eles iriam usar os mesmos preconceitos, as mesmas mentiras, nem criativos são”, reclamou.

Funk da Marina
O momento mais interessante da propaganda da candidata do PSB na televisão foi um espécie de “funk” cantado por um grupo de garotas que a receberam, e cuja letra diz: “olha a Marina chegando, olha a Dilma saindo. Ela está chegando para mudar os seus destinos”.

Novilíngua
No afã de atrair os internautas, o programa de Dilma exagerou no vocabulário “informatiquês”. Prometeu apoio às “start ups” no desenvolvimento de “softwares”.

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