“Lula de saias”, Marina põe o PT contra parede

17/09/14 às 23:08 - Atualizado às 23:12

Um dos maiores fenômenos da história recente da política no Brasil e no mundo, Luiz Inácio Lula da Silva construiu sua carreira explorando a trajetória de retirante do Nordeste que passou fome, foi operário e virou líder sindical. Pois nesta eleição, o PT e o ex-presidente enfrentam pela primeira vez, em pé de igualdade, alguém que tem uma história tão ou mais forte, capaz de sensibilizar as massas, em especial a maioria dos brasileiros que se equilibra sobre o fio da navalha de baixos salários e luta diária pela sobrevivência. Alvejada pelos petistas por todos os lados, e com pouco tempo na propaganda de televisão, Marina Silva (PSB) protagonizou esta semana uma das mais contundentes peças dessa campanha. Para rebater os boatos de que poderia acabar com o Bolsa Família caso eleita, colocou no ar um discurso em que se dirige diretamente à Dilma Rousseff para contar a história de quando seus pais só tinham um ovo, farinha e lascas de cebola para alimentar uma família de oito irmãos. E por mais que o PT e a candidata à reeleição a acusam de vitimização e coitadismo, o fato é que Marina foi convincente, pois sua história tem verossimilhança e provoca uma empatia inegável entre o eleitorado médio. Não por acaso, os próprios petistas admitem o temor de enfrentar o que descrevem como o “Lula de saias”.

Actor´s studio
Na propaganda eleitoral, não basta contar uma história tocante. É preciso ter verossimilhança e ser convincente. Esse é o detalhe que torna a peça veiculada por Marina uma das mais expressivas dessa campanha. Além disso, ela também mostra que aprendeu com Lula a dosar a emoção. Chega a fazer uma pausa dramática com a voz embargada ao fazer o relato acima. “Quem viveu essa experiência jamais vai acabar com o Bolsa Família. Não é discurso, é uma vida”, diz a candidata do PSB. Não será fácil para o PT conseguir produzir uma resposta a isso.

Pessimildo
Uma das novidades da propaganda de Dilma é o boneco “Pessimildo”, que faz troça dos críticos do governo. Ele é uma espécie de antítese da “Velhinha de Taubaté” - personagem criado pelo escritor Luis Fernando Verissimo durante o governo do general João Baptista Figueiredo, que ficou famosa como “a última pessoa no Brasil que ainda acreditava no governo”. Segundo consta, ela teve seu falecimento anunciado pelo autor em 2005, no auge da crise do mensalão, tendo morrido em frente à TV, decepcionada com o quadro político brasileiro.

Olha o buraaaaaco...
Dilma falou sobre a universalização do Simples e a criação de um “Simples de transição” para pequenas empresas que estão crescendo. Prometeu acabar com o “abismo tributário” criando uma “rampa mais suave” para quem precisa mudar de faixa de tributação. Os adversários da petista dizem que do jeito que anda a economia, em vez de subir essa rampa, o empresário vai é cair em um alçapão.

Efeito Ibope
Foi só recuperar alguns pontos na pesquisa e ver Marina oscilar para baixo, que Dilma já apareceu mais alegrinha em seu programa. A presidente tá sorrindo mais, com um semblante mais leve.

Antes e depois
No horário eleitoral é assim: os políticos aparecem andando de ônibus, metrô em meio ao povão. Passou a eleição, é só carro oficial blindado com escolta policial.

Na pele
Aécio Neves diz que o mundo da política “é duro, às vezes é até cruel”, e “devora as boas intenções da noite para o dia”. Sem falar nas intenções de voto, faltou o tucano completar.

Celebridades
Zezé di Camargo, Ronaldo “o Fenômeno”, Zico, Chitãozinho e Xororó, Bernardinho, Dadá Maravilha, Wanessa Camargo, Chrystian, Fernando Brant, Fagner, foi o time escalado pelo candidato do PSDB ontem em sua propaganda. Parecia mais a ilha de Caras.

Nova política
Eduardo Jorge parece aquele professor universitário maluco que faz média com os alunos liberando a saída antes do horário.

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