“Contra a corrupção”

30/09/14 às 00:00

A cada eleição o roteiro se repete: políticos repetem como mantras slogans contra a corrupção, tentando capitalizar a indignação popular com os sucessivos escândalos de desvio de dinheiro público. O problema é que a cada disputa, esses slogans tem menos credibilidade, diante da prática. Com o PT amargando altos índices de rejeição em parcelas significativas do eleitorado em razão dos inúmeros casos envolvendo integrantes do partido e de seus aliados, além de estatais como a Petrobras, a campanha de Dilma Rousseff lançou, faltando pouco mais de uma semana para o primeiro turno, um “pacote” de propostas contra a impunidade. A lista inclui a criminalização do enriquecimento ilícito entre servidores públicos e agentes políticos; do caixa dois; o confisco de bens adquiridos ilegalmente; a agilização de processos contra desvios e uma nova estrutura para acelerar o jultamento de quem tem foro privilegiado. Tudo muito bom, não fosse o fato de que Dilma está no quarto ano de seu mandato, e o PT completando 12 anos no poder federal, o que torna inevitável que se questione se a iniciativa é fruto de um convencimento sobre a necessidade dessas medidas, ou apenas mais um factóide de campanha para tentar dar uma resposta à opinião pública diante de um cenário eleitoral desfavorável.

Passou recibo
Dilma negou que tivesse aproveitado o discurso na ONU para fins eleitorais. Mas colocou no ar em sua propaganda eleitoral trecho de sua fala.

Adesivo
Eminência parda da República e até aqui sumido da propaganda eleitoral, o vice-presidente e candidato à reeleição, Michel Temer – presidente nacional do PMDB – apareceu no programa de Dilma para dizer que “é impossível um País do porte do Brasil ser governado por um presidente frágil, sem apoio político”. Temer não precisava se preocupar. Até porque todo mundo sabe que passada a eleição, o PMDB rapidamente vai aderir ao eleito, seja ele quem for.

Medo
Lula também voltou ao programa de Dilma, mais uma vez com o discurso do medo. Disse que “ninguém em sã consciência pode dizer se a crise internacional vai melhorar ou vai piorar”. Garantindo que pede “a Deus” para que a crise não piore, o ex-presidente reafirmou que se isso acontecer, Dilma seria a pessoa mais indicada para enfrentá-la.

Cada um com seus problemas
Estacionada em um distante terceiro lugar, a candidata do PT ao governo do Estado, Gleisi Hoffmann, desdenha e coloca em dúvida a honestidade das pesquisas eleitorais. Já Dilma – em processo de recuperação das intenções de voto – alardeia com destaque em sua propaganda, a vantagem de 13 pontos aberta sobre Marina Silva no último Datafolha.

Cumprindo tabela
Gleisi parece cada vez mais desanimada em sua propaganda. Repetiu pela enésima vez que foi ministra da Casa Civil e parceira de Dilma. Sintoma do último Datafolha que mostrou que ela não lidera as intenções de voto nem mesmo entre os simpatizantes do próprio PT. Tem 30% nesse segmento, contra 31% de Requião e 29% de Beto Richa.

Aposentadoria
A propaganda que mais chamou a atenção nos últimos dias, na campanha televisiva do Paraná veio do pequeno PRP do candidato ao governo Ogier Buchi. Na inserção, o partido ironiza a aposentadoria especial de ex-governador do candidato do PMDB, senador Roberto Requião. E lembra que como senador, ele já recebe R$ 26 mil por mês.

Pijama
“Mas ele acha pouco. Por isso usou uma brecha na lei para acumular também uma aposentadoria como ex-governador do Paraná. De uma só vez ele colocou no bolso mais de R$ 452 mil”, afirma a legenda, para em seguida sugerir ao eleitor que mande o peemedebista para casa nesta eleição. “Como você pode ver, aposentado Requião já está. Só falta você mandar ele para casa”.

No ataque
Levantamento feito pela Universidade do Rio de Janeiro aponta que im de cada seis minutos do horário eleitoral de TV dedicado às candidaturas presidenciais foram utilizados pelos candidatos até agora para atacar adversários. Aécio Neves é quem mais dedicou espaço às críticas. Segundo o estudo, o tucano usou 32% do seu espaço para críticas, contra 18% de Marina e 10% de Dilma.

De cinta
O “nanico” Geonísio Marinho (PRTB) já começou a se despedir da campanha no programa de ontem. Pediu ajuda do eleitora para “bater de cinta no poder instalado”. Afirmou sair da disputa sem dever nada para ninguém. “Fiz o que pude”, resignou-se.

Inamps
Marina prometeu, no segundo turno, “com tempo igual de propaganda”, contar mais sobre sua vida ao eleitor. Entre as novas informações com a qual tentou sensibilizar o eleitor está a de que “foi registrada como indigente em um hospital público quando teve sua filha mais velha”.

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