E quando a compulsão chega, faz um estrago

11/05/15 às 00:00

Esse tema, apesar de ser tão debatido é muito atual, pois não faltam pessoas que vivenciam diariamente a angústia da compulsão alimentar. São muitos pacientes que atendo com esse diagnóstico, um sofrimento real que leva à sensação de descontrole e impotência.

O transtorno de compulsão alimentar periódica (TCAP) é também conhecido como Binge Eating Disorder e de acordo com o DSM IV (Manual Diagnóstico e Estatístico da Associação Americana de Psiquiatria) esse transtorno se caracteriza por uma verdadeira farra alimentar onde não há um controle na quantidade de alimentos ingeridos, sendo que na sequência ocorrem sentimentos de culpa e autorreprovação muito acentuadas.

Essa síndrome é caracterizada por episódios recorrentes de compulsão alimentar sem que ocorra nenhum comportamento de compensação para evitar o ganho de peso. Para caracterizar a compulsão, esses episódios deverão ocorrer pelo menos duas vezes na semana por seis meses.

Muitas vezes esses comportamentos são mal compreendidos pelos familiares e amigos, não entendem como a pessoa não consegue ter controle sobre a quantidade de comida ingerida. Porém, o indivíduo que apresenta o TCAP se sente coagido internamente para realizar, pois se não o fizer haverá incremento da angústia, fora que nesse momento de impulsividade o sujeito não tem controle de seu comportamento.

Não é à toa que muitas pessoas acabam ganhando muito peso, e quanto mais são cobradas e julgadas, piores são os descontroles, pois junto com os fatores orgânicos que atuam nessa doença a parte emocional também tem um grande peso,  porque quanto mais angustiadas, mais descontrole, mais tristeza, mais impotência, assim voltando a comer novamente.

Interromper esse ciclo demanda um tratamento sistemático em que se faz necessário um grupo de profissionais para dar suporte ao paciente. Além do nutricionista, para adequar uma prescrição alimentar adequada para cada caso, precisam que um psiquiatra entre com a medicação para controlar os episódios. A terapia psicológica é fundamental para que o paciente compreenda os fatores emocionais que estão envolvidos nesses ciclos compulsivos, além de instrumentalizar o paciente para mudanças de comportamentos.

O importante é sempre poder alongar o olhar e acolher esse familiar que apresenta esse quadro de compulsão, ele precisará não somente do apoio médico, mas dos familiares que são a ponte direta para ajudar nesse equilíbrio como um todo.

Luciana Kotaka, psicóloga, colunista, blogueira e escritora, adoro explorar os assuntos que regem o comportamento e os sentimentos.

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