Opinião: Máquina de produzir vilões e ídolos

14/05/15 às 00:00 - Atualizado às 12:31 Edilson de Souza | edilsondsouza@hotmail.com

O futebol é uma máquina que tem a capacidade de produzir, numa velocidade impressionante, muitos ídolos, também muitos vilões. É uma máquina que faz um sujeito ir dormir pobre e quando acorda está mergulhado em uma piscina cheia de dinheiro. Faz com que apareçam num toque de mágica vários amigos e muitas mulheres bonitas. Então, facilmente promove uma mudança de vida da noite para o dia.

A culpa, ou melhor, o principal responsável por essa magia somos nós, os cronistas esportivos. Basta um toque que seja um pouquinho melhor refinado para que um jogador qualquer deixe o anonimato e passe a ser chamado de craque.

O esporte mais popular do mundo também tem a capacidade de criar vilões. Esse mesmo jogador que em determinado momento é "endeusado" desce rapidamente do céu e mergulha no inferno da bola se perder aquele gol considerado imperdível. Assim é a magia do futebol, pois é proporcionada pelos altos e baixos, pela oscilação entre o luxo e o lixo. A manutenção de um status linear vai depender da preparação psicológica do profissional.

Marcos Guilherme, jogador do Atlético Paranaense — aliás, um belíssimo jogador —, pode ser considerado um ótimo exemplo dessas idas e vindas do futebol. Surgiu como uma joia da coroa atleticana, logo foi convocado para a seleção brasileira de base, teve destaque nacional. No entanto, bastaram algumas partidas no ano passado, um pouco abaixo do seu potencial, para a torcida começar a vaiá-lo e pedir sua saída, simplesmente por ser aos olhos do torcedor, naquele momento, um jogador comum. Hoje, a mesma torcida que o vaiava, chora e reclama pelo fato de ele ter de ficar fora do time por muito tempo. Voltou a ser uma peça fundamental.

Se um jogador pode dormir pobre e acordar rico, no caso dos treinadores eles podem acordar com uma soma vultosa na conta bancaria, porém, demitidos. E nem houve um treinamento na madrugada, apenas uma reunião na "igrejinha" dos cartolas do clube e a degola já esta definida.

Então, vejamos: no caso do Coritiba, no ano passado, investiram um caminhão de dinheiro para contratar Celso Roth e os resultados foram uma tragédia pura. Marquinhos Santos chegou para resolver e resolveu. Conseguiu tirar o time da zona de rebaixamento e o manteve na elite do nosso futebol. Entretanto, uma soma de resultados negativos nos últimos jogos já faz com que ele esteja na berlinda. Do céu que foi aquele trabalho realizado no ano anterior, o técnico pode mergulhar no inferno que seria a perda do seu cargo pelos insucessos.

O Atlético Paranaense também é uma fábrica de ídolos e vilões. Mario Celso Petraglia vive se queixando do tratamento a ele dispensado. De ídolo máximo semelhante a deus perante a torcida rubro negra, por tudo que já fez, atualmente, pelas suas atitudes e pelo momento que vive o time em campo, a vontade dos torcedores é que ele pegue toda sua família que se serve do clube e deixe o mais rápido o ambiente atleticano.

E o que falar do técnico Milton Mendes? Chegou a meio a muitas críticas, não conseguiu fazer o time jogar um futebol aceitável nas suas primeiras jornadas. Contudo, um resultado positivo contra o Internacional foi o remédio para curar todas as dores. Ninguém mais fala da falta de preparo do comandante do time da Baixada. Desta forma, até a próxima rodada ele tem um acento garantido na sala do céu.

Edilson de Souza é jornalista e sociólogo

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