SÃO PAULO – Integrantes do MTST (Movimento dos Trabalhadores Sem Teto) invadiram no início da madrugada deste sábado (23) um terreno particular no Jardim Oratório, em Mauá, na Grande São Paulo. Segundo o movimento, a invasão foi feita por cerca de 500 famílias.
Carregando bandeiras vermelhas, homens, mulheres e crianças chegaram ao terreno de 300 mil metros quadrados por volta da meia noite com barracas e a estrutura para o acampamento.
Não houve confronto com a Polícia Militar, que chegou ao local pouco depois da invasão. Os líderes do sem-teto informaram que vão negociar com a polícia caso isso seja necessário.
“Só saímos com ordem judicial. Todas as famílias que estão aqui são da região. Pessoas que não conseguem mais pagar aluguel, moram de favor, vivem em áreas de risco”, afirmou Guilherme Boulos, líder do MTST.
Segundo ele, apesar do terreno ser uma Zeis (Zona Especial de Interesse Social) destinada a moradia popular, está abandonado há vários anos.
Em nota, o MTST afirmou que antes da ocupação o terreno servia apenas para especulação imobiliária.
“Ao corte de gastos para moradia pelo ajuste fiscal, responderemos com lutas e ocupações”, diz a nota.
Boulos afirmou à Folha que novas invasões serão realizadas nos próximos dias, até que o governo resolva a questão da moradia.
Há uma semana, integrantes do MTST invadiram outros dois grandes terrenos privados na Grande São Paulo. As ocupações do dia 16 foram as primeiras de uma “jornada” de ações programadas para pressionar o governo federal a lançar a terceira etapa do Minha Casa Minha Vida.
O MTST alegou que as áreas invadidas no Jardim Batista, em Embu das Artes, e no Jardim dos Reis, em Itapecerica da Serra, também são Zeis e estão abandonadas.
O movimento tem hoje mais de 6.000 pessoas em áreas invadidas na Grande São Paulo.
De acordo com o Secovi-SP, que reúne empresas do setor imobiliário, o déficit na Grande São Paulo chega a 672 mil habitações.