Defesa Civil emite alerta a cidades sobre tempestades severas nesta primavera

25/09/15 às 13:20 - Atualizado às 19:23 AEN

A meteorologia prevê que a primavera e o verão paranaenses serão marcados por tempestades severas. Durante as duas estações devem ocorrer chuvas intensas, granizo e ventos fortes. Contribuem para isso as mudanças climáticas e os efeitos do fenômeno El Niño, que em 2015 ganhou mais força. 

Baseada nas informações do Instituto Simepar do Governo do Estado, a Defesa Civil faz um alerta aos municípios paranaenses para que deixem estruturas locais prontas para agir em caso de emergência. “É tempo de conferir se a estrutura, os serviços e equipes municipais estão devidamente preparados para atender eventuais desastres naturais”, explica o coordenador executivo da Coordenadoria Estadual de Proteção e Defesa Civil, tenente-coronel Edmilson de Barros.

Os dados climáticos reforçam a necessidade da advertência. Entre janeiro e setembro deste ano foram registradas 338 ocorrências em 178 municípios, com mais de 245,2 mil paranaenses atingidos. Os prejuízos somam R$ 185,8 milhões nas zonas urbana e rural. 

Barros entende que quanto mais preparado o município menores serão os danos e o sofrimento da população. “Essas providências são essenciais para garantir que sejam cada vez menores os impactos de fortes chuvas ou fortes ventos, especialmente nas médias e pequenas cidades”, enfatiza o coronel. 

Neste ano, em algumas localidades houve vendaval, granizo, enxurrada ou alagamento mais de uma vez. Ainda assim, comunidades foram pegas “desprevenidas” e não puderam enfrentar a situação de modo organizado, conforme previsto no Plano de Contigência. 

Barros reforça que a checagem dos dados e a realização de situações simuladas sobre as ações e aplicação de técnicas por funcionários e voluntários deve ser uma preocupação constante das coordenadorias municipais de Defesa Civil. 

“As prefeituras têm na Defesa Civil do Paraná um seguro e eficiente parceiro, a custo zero, para um trabalho integrado de proteção às comunidades”, afirma, recomendando que os municípios devem cumprir os procedimentos pré e pós eventos. 

MAIS AVANÇADA - Os pesados investimentos do Governo do Estado em tecnologia de ponta e formação de pessoal, especialmente em meteorologia, desde 2011, fizeram da Defesa Civil do Estado a mais moderna e avançada do País na gestão do risco de desastres. 

Estrutural e tecnologicamente bem desenvolvida, a Defesa Civil desenvolveu uma ferramenta digital de apoio às prefeituras em parceria com a Celepar. Com ela, todos os 399 municípios elaboraram um Plano de Contingência nos últimos quatro anos. “É o único Estado brasileiro que está nesta condição”, afirma o coronel Barros. 

O município só precisa de login e senha para ter acesso ao Plano de Contingência, que é um mapeamento completo das condições informadas anteriormente, para atender a comunidade em caso de desastre – onde, como e com o quê - e alertar a Defesa Civil, quando ocorrer algum evento. 

O preenchimento do documento é exigência da legislação federal e estadual para instruir a decretação e o reconhecimento de situação de emergência ou estado de calamidade pública, em casos de desastres, e para a obtenção de recursos para a cobertura de danos. 

“Só com os requisitos do Plano é possível ao município realizar compras emergenciais, com dispensa de licitação, obter a liberação de FGTS, e ter acesso a recursos do Estado e da Federação”, explica o coordenador executivo da Defesa Civil estadual. 

MALLET, O BOM EXEMPLO - Com 12.973 habitantes, a pequena Mallet é um grande exemplo de município que aprendeu a importância de fazer a lição de casa quando se trata de desastre e aplicar o Plano de Contingência. Alcides Afonso Papis, secretário de Administração e Coordenador Municipal de Proteção e Defesa Civil é quem lembra os fatos. Ano passado, noite avançada de junho, em poucos minutos caíram 420 mm de chuva, que fizeram subir e transbordar o Rio Charqueada. A água e a enxurrada alagaram 300 casas, transtornando a vida de 1.200 moradores. 

Mallet já tinha Plano de Contingência no papel, mas nada de tratamento para emergência. A cidade conta com serviços de dez bombeiros comunitários, socorristas e um caminhão Pipa. Foram eles que, ao lado da equipe municipal, arregaçaram as mangas e se desdobraram para socorrer os moradores. 

Antevendo a possibilidade de novo desastre, a cidade se organizou para socorrer a população mais rápida e eficazmente. Na madrugada de 7 de setembro, o desastre se repetiu em forma de granizo, que desabou sobre tetos frágeis das vilas Maria e Carolina. 

“Dez, quinze minutos depois, máquinas e equipes estavam nas ruas para atender as 79 famílias atingidas e já estava informando a Defesa Civil do ocorrido”, conta Papis. Desta vez, cumpriu o protocolo, registrou a ocorrência, mas dispensou a ajuda estadual. 

“Os desastres são inevitáveis, então os municípios têm que estar preparados, se prevenir para prestar socorro rápido. O custo-benefício dessas ações é compensador porque se você não está organizado as consequências e o sofrimento para as famílias pode ser dez vezes pior”, comenta. Ele considera tão importante a função de coordenador de Proteção e Defesa Civil que sugere aos municípios escolher um servidor público que não acumule funções e só se dedique a planejar e executar as tarefas de prevenção. 

Certo da possibilidade dos desastres, Papis também está certo que os municípios têm que se preparar para torná-los evitáveis. Nessa direção, lembra que o Plano Diretor das cidades, como se quer em Mallet, iniba a construção de casas próximas a áreas de risco de alagamentos ou enxurradas. 


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