Apito inimigo

11/11/15 às 00:00 - Atualizado às 16:56 Mauro Mueller | falecomomauro@yahoo.com.br

Não sou acostumado a colocar a culpa de um resultado somente na arbitragem. Mas os três erros no jogo do Corinthians contra o Coritiba poderiam determinar o título do Brasileirão. Mesmo assim, não entro nesse papo que sempre berram pelas torcidas que somente os times daqui (Atlético, Paraná e Coritiba) são prejudicados, porque já vi paulistas, cariocas, mineiros e gaúchos, pernambucanos, que são grandes centros do futebol e foram muito prejudicados pelos árbitros, que erram muito. E grande parte dos jogos que assisto (e assisto muitos), os resultados não foram diretamente responsabilidade do árbitro. Nestas últimas rodadas de setembro para cá, o Avaí pode reclamar, o Sport, São Paulo, o Atlético Paranaense também. Todos foram prejudicados por um lance ou outro duvidoso. Mas, na maioria deles, vi também que o time que perdeu o jogo foi muito inferior e mereceu o resultado. Mas, nem por isso absolvo os árbitros deste meu “julgamento”. No caso do jogo do Corinthians contra o Coritiba, eu nem tão pouco duvido da seriedade de um técnico como o Tite, que para mim já estava na seleção brasileira desde Agosto de 2014. É o apito inimigo, porque essa história de apito amigo não existe. Apitar errado sempre é coisa de inimigo do futebol.

Primeiro a determinação da Comissão de arbitragem em interpretar a bola na mão, que pode ser feita de qualquer modo, praticamente à escolha de quem apita. Principalmente dentro da área. Dependendo da pressão exercida pelo time da torcida mais violenta, não adianta chorar. Depois a reclamação dos jogadores é punida com o cartão. Até aí, tudo certo, pois eu não agüentava mais alguns jogadores chatos desse nosso país querendo apitar o jogo, mas agora o poder dado aos árbitros está deixando muitos juízes chatos. O Heber Roberto Lopes é um árbitro que atira o cartão agressivamente na cara do jogador, só para mostrar autoridade. Não precisa, Seu Heber! Na minha opinião a arbitragem brasileira demorou para ser profissionalizada, mas é a grande desculpa do momento. A comissão de arbitragem da CBF está sem chefe, porque o presidente da entidade está pisando em ovos, com as denúncias de corrupção. Não estou condenando ninguém, mas que terá mais gente indiciada, não tenho dúvidas. Portanto, não é o seu time que está sendo prejudicado pelo apito amigo, o fato é que o nível da arbitragem brasileira está um caos. É o apito inimigo do futebol..

Vou me render ao golaço que Neymar fez no jogo do fim de semana contra o Villarreal. Este é tão bonito quanto aquele que ele fez no Flamengo, quando jogava pelo Santos em 2011. Do momento em que a bola sai do pé de Luis Suarez até a bola tocar a rede do Estádio Camp Nou são 4 segundos. Luizito olhou seu marcador e a linha de impedimento antes de receber a bola. Depois viu quando Neymar se posicionava e fez o lançamento na medida. Neymar, muito antes de receber a bola, viu o marcador chegando por trás. Ele domina a bola, dá o chapéu, se vira de costas da esquerda para a direita bailando pelo marcador, perde o contato visual com a bola, se livra do zagueiro e de primeira chuta em direção ao canto esquerdo do goleiro Alphonse Aréola. Neymar já é um craque. Hoje é muito fácil ouvir que o jogador é craque. Mas, eu posso começar a chamar Neymar de craque. Pois falar “Eu te amo” para qualquer dona e chamar jogador de “craque” está muito deturpado nos dias de hoje. Para mim tem uma importância maior e merecem o máximo cuidado. Mas, Neymar: Você é craque!

Mauro Mueller é apresentador do Show de Bola da Rede Massa, radialista e ator

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