Opinião: "Dinheiro, dinheiro"

09/12/15 às 00:00 - Atualizado às 21:59 Mauro Mueller | falecomomauro@yahoo.com.br

Os clubes de futebol têm adotado um plano que economiza dinheiro e o erro é muito fácil de detectar. Dirigentes fazem no mínimo dois elencos no ano. No início, eles contratam um técnico, uma leva de jogadores, somado a algumas apostas de categorias de base. Começam a temporada assim. Depois, acabando os estaduais, os clubes fazem uma avaliação do elenco e reforçam o time, com jogadores mais “caros”, ou aqueles que possam resolver as posições que ficaram devendo até maio.
Este ciclo vicioso erra, mas economiza dinheiro. Os estaduais hoje são usados como pré-temporada pela maioria dos clubes. Depois ficam reclamando que não tem público nos Campeonato Estadual, mas na verdade os próprios clubes não dão a devida atenção. Querem que o torcedor vá assistir a jogos fracos, sendo que eles mesmo enfraquecem os times. Por isso, o interior do estado, que faz um planejamento diferente e dá a importância ao estadual, acaba tendo um desempenho melhor que os times da Capital

E isto não é somente um “privilégio” do Estado do Paraná. Outros também fazem o mesmo. O Ituano Campeão Paulista não me deixa mentir. Aqui no Paraná, Londrina e Operário cresceram usando o Paranaense como impulso e depois se deram bem nacionalmente. O Londrina fará companhia ao Paraná Clube na Série B. É um reflexo de dar importância para o ano inteiro e não somente para competições mais “importantes”. Chega no Brasileirão, o clube se toca que precisa reforçar seu elenco e vai atrás de jogadores insatisfeitos em outros clubes, jogadores renegados, todo o tipo de atletas, machucados, desacreditados, e assim se montam elencos hoje no futebol brasileiro.
Poucos clubes começam o planejamento de um Campeonato Brasileiro em janeiro. E se você está pensando que eu esqueci a Taça Libertadores, vai aí mais um erro. Clubes planejam a Libertadores, deixam de lado os estaduais, depois começam o Brasileirão com time B. O Internacional de Porto Alegre é um bom exemplo de time que não ganha a Libertadores e depois não conquista mais nada.

Estamos muito longe de um Real Madrid, Barcelona, Bayern de Munique, quando o treinador faz um planejamento de contratações e termina este plano bem antes da pré-temporada. Depois da pré-temporada até o departamento de marketing já sabe o número da camisa que o jogador terá até o fim do ano.
Um dos motivos pelos quais tomamos uma goleada da Alemanha é justamente levar os clubes pela questão financeira. Os times economizam centavos, não conseguem cumprir suas folhas de pagamento e depois sofrem com despesas. Chega em junho, estão montando o terceiro time de reforços e, na verdade, o que era para ser economia, vira despesa dobrada.

O Coritiba contratou Gilson Kleina, que fez um excelente trabalho na Ponte e no Palmeiras. O Atlético vai esperar as eleições para definir se fica ou não com o Cristóvão Borges. E o Paraná já tem acerto com Claudinei Oliveira e já está fazendo o planejamento de 2016 com um novo técnico. O que resta saber é se os clubes farão um real planejamento de montagem de um elenco para o ano e não fracionar as suas economias e chegar ao fim do ano amargando uma despesa dobrada na contratação de urgências, deixando seu torcedor sofrer até a última rodada como foi o Coxa-Branca, ou almejando acabar logo e passar a borracha neste ano, como fez o Paranista e o Atleticano.
Chegar ao fim do ano e escrever que eu já vi este filme está ficando muito chato.

Mauro Mueller é apresentador do Show de Bola da Rede Massa, radialista e ator

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