SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – Pesquisa divulgada nesta quarta (9) pelo Serasa apontou o desemprego como principal motivo da inadimplência dos brasileiros. Segundo o levantamento, realizado com 8.288 consumidores, 26% dos entrevistados disseram que a perda do emprego é a explicação para as contas atrasadas. A segunda razão mais apontada, citada por 17% dos consumidores, é o descontrole financeiro. As informações são da Agência Brasil. O economista Luiz Rabi, da Serasa, informou que é a primeira vez que a empresa realiza um levantamento do tipo. As informações foram obtidas por meio de enquetes com consumidores negativados que compareceram às agências da Serasa. Rabi chamou atenção para o resultado em um momento em que há crescimento simultâneo da inadimplência e do desemprego. De acordo com o economista, há alguns anos a inadimplência também estava aumentando, mas o desemprego estava em queda. “Tivemos, também em 2011 e 2012, um surto de inadimplência no país. Só que, naquela época, o desemprego estava em queda. O que estava muito forte era o crédito. Se a mesma pesquisa tivesse sido feita no período, provavelmente o desemprego não seria a principal causa da inadimplência, mas sim o descontrole financeiro.” Segundo dados da Serasa, em 2011 a inadimplência cresceu 21,5% e, em 2012, 15%. Em 2013, o número de inadimplentes caiu 1,9%. Em 2014 voltou a crescer, aumentando 6,3%. Em 2015, a inadimplência registrou alta de 17% de janeiro a agosto na comparação com igual período do ano passado. Do lado do desemprego, informações do Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados) do Ministério do Trabalho mostram que outubro foi o sétimo mês seguido de fechamento de vagas formais. Naquele mês, o Brasil fechou 169.131 postos de trabalho e teve a menor geração de empregos para o período desde 1992, ano de início da série histórica. Além da perda de emprego e descontrole, os demais motivos indicados na pesquisa da Serasa para inadimplência foram o esquecimento do pagamento de contas (7%), empréstimo do nome a terceiros (7%), despesas extras com serviços, educação e saúde (7%), ser vítima de fraude (5%), alta dos preços (5%), diminuição da renda pessoal e/ou familiar (5%), atraso de salários (3%) e doença ou morte na família (3%).