Mauro Mueller: "O ano começou em dezembro"

29/12/15 às 23:00 - Atualizado às 10:37 Mauro Mueller | falecomomauro@yahoo.com.br

Os clubes precisam de um novo comportamento, que deve começar pela tia do café e chegar até o seu presidente. Acredito que o futebol de Curitiba precisa de uma reformulação de mentalidade muito antes de entrar em campo, onde se faça o futebol de longo prazo. Enquanto um clube for agindo conforme derrotas, não teremos times bem montados, não teremos títulos e muito menos teremos três clubes na primeira divisão. A cada ano saem onze titulares e entram outros onze. Uma base deve ser montada para entrar no clube e fazer a história. Só depois o clube poderá pensar em títulos. Grandes clubes vencedores tem pelo menos uma “espinha dorsal” de um time com alguns nomes que mais vendem camisas, que representam o estilo de jogo do time, num time que começa a temporada com um time titular e termina com pelo menos seis deles ainda no time titular. Poderia descrever vários modelos de elencos assim, poucos no Brasil e muitos no planeta.
Uma coisa já se sabe: Claudinei Oliveira, Gilson Kleina e Cristóvão Borges vão começar o ano empregados. O ano começou em dezembro para os três clubes curitibanos. Resta saber quem vai terminar 2016 empregado. É tão comum demitir técnicos que ter a certeza de quem vai comandar o seu time 60 dias antes do primeiro jogo já não é mais uma grande novidade. Não deveria ser assim, mas tão raros são os clubes que planejam as contratações de forma tão profissional neste período do ano, que esta notícia não causa bom efeito. Em dezembro, com as férias dos jogadores, os três clubes já tem seus técnicos.

Ouvi o balanço que Cristóvão Borges fez do seu trabalho no Atlético. Quando ele disse que perto do que pegou quando assumiu o clube, até que foi positivo. Mediu muito as palavras quando falou de resultados, porque, no momento em que chegou, o elenco estava muito desfalcado e o Atlético pagou com a eliminação na Sul-Americana. E o erro foi da diretoria, que demitiu o técnico Milton Mendes por razões pessoais entre o presidente Petráglia e o treinador (Petraglia mesmo disse isso). Se as razões não são de campo, não tenho como analisar outros aspectos. A conta foi cara, pois o Atlético freqüentava o G4 do Brasileiro até a estreia na Sul-Americana. Abriu mão da vaga na Libertadores por ali e foi buscar um título. Terminou o ano sem nenhum resultado para se orgulhar.

O Coritiba passou o ano na ZR, sofrendo desde o (mau) começo de ano, quando errou feio na montagem de elenco e perdeu a decisão do Paranaense. Poderia rever todo um plano de ação e contratações, mas não o fez. Demorou a tomar as decisões, atrasou salários, provocou uma briga interna, racha de diretores e meteu os pés pelas mãos desde o início do ano. Meu pai sempre dizia para mim quando eu agia assim na escola e chegava ao fim do ano e ainda passava: “Passou deixando pêlo na cerca”.

Vi o Paraná em 2012 e 2013 com boas chances de subir. Até que chegava agosto e a notícia da falta de dinheiro sempre atrapalhava os planos. Neste ano, a falta de dinheiro não foi o maior problema do clube, mas sim as contratações de jogadores que pudessem levar a confiança ao torcedor, pois os salários estavam quase em dia, ou mesmo podemos dizer que “sem greves”.

O ano novo começou em dezembro e espero sinceramente que uma luz acenda na mente deste nosso futebol cansado, sem brilho. Desejo isto principalmente a você, que quando vê seu filho assistindo a um jogo com a camisa do Messi, Cristiano Ronaldo ou Neymar, pensa que a culpa por seu filho não torcer para um clube de sua cidade é somente da globalização.

Mauro Mueller é apresentador do Show de Bola da Rede Massa, radialista e ator

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