Mauro Mueller: "Dá pra rir e dá pra chorar"

06/01/16 às 00:00 - Atualizado às 15:45 Mauro Mueller | falecomomauro@yahoo.com.br

Claudinei Oliveira apresentado no Paraná Clube. Discurso? Aquele de sempre, sem novidades. Gilson Kleina começou a trabalhar no Coritiba. Contratações? Aquelas de sempre, com mais saídas do que chegadas. Cristóvão Borges começou a fazer seu planejamento no Atlético. Quem chega? Só saídas, por enquanto. O discurso das diretorias logo será sobre a crise financeira, a dificuldade em contratar, a falta de recursos, jogadores que não conseguiram convencer em assinar com o clube, jogadores que não aceitaram a nova realidade do futebol brasileiro, o plano de sócio, o calendário do futebol brasileiro que vai transformar esse torneio Sul-Minas-Rio em uma aguada pré-temporada. Este filme que nem começou eu já vi o final.

Walter deixou uma esperança no torcedor de que ficaria, declarações de amor eterno, pedidos da torcida de “Fica Walter”. A grana que o Futebol Clube do Porto pedia era muito alta, mas se você lembrar dos discursos das diretorias, jamais um clube pagaria esse valor pelo Walter aqui no Brasil. Passou uma semana deste discurso, o Sport bancou a vinda do atacante, que sai do Atlético dizendo que vai sentir saudades. E, para o seu lugar, o clube contrata dois atacantes que ajudaram o Avaí a passar sufoco a maior parte do ano passado e cair para a segunda divisão. A esperança é que estes dois atacantes desencantem e desandem a fazer gols, para morder a língua do colunista. Eu queria morder a língua.

No Coritiba, a primeira má notícia do ano foi que o clube emprestou Raphael Lucas, um prata da casa que fez 17 gols pelo clube que quase não fez gols neste ano. E, de quebra, Henrique Almeida, o artilheiro do time, nem sequer cogitou a possibilidade de ficar neste ano. Mas esperem sentados, pois logo vem aí um Gustavo Índio, que desandou a fazer cinco gols em um só jogo da Copa São Paulo. Pelo menos na primeira partida da Copinha já li e ouvi que este garoto é a salvação da lavoura alviverde já para este ano. Mais uma vez o clube produz jogadores para os outros e não aproveita para si. Então, poderemos afirmar que, se por um acaso este menino for mesmo um artilheiro, deverá jogar meio ano e ser emprestado ao timaço do Goiás, outro time que foi rebaixado.

A sorte está lançada e ajudou o Atlético a conquistar a vaga na Libertadores em 2013. Mas não foi longe em 2014. Desculpe a sinceridade, mas não sei mais se tento convencer o torcedor para que tenha a esperança de dias melhores. Ou dias piores, mas com títulos. A choradeira de falta de grana ainda nem começou, mas já dá o ar da graça. Em maio, os clubes correm feito loucos atrás de tapar buracos na zaga, no ataque, no gol e mandam embora seus técnicos. E vem aí o Campeonato Paranaense, com o Maringá, Londrina e Operário como favoritos, crescendo em seus pequenos sonhos, realizando façanhas, proporcionadas pela falta de competência dos clubes da capital em aprender com os erros próprios ou mesmo com o acerto dos seus irmãos do interior.

Mas, calma, prezado colunista... assim diria o otimista. Eu tenho um amigo, o paranista Poranga. Ele me chama no ponto antes de entrar no ar na televisão e brinca dizendo: “Mauro, o assessor de imprensa deve anunciar nas próximas horas, mas eu já te adianto. O Messi não vai jogar no Paraná”. É muito bom brincar com a realidade das coisas. Mas o torcedor que já apanhou muito não agüenta mais os anos passando sem um título importante. É como diz a canção do meu amigo Leoni: “Dá pra rir e dá pra chorar”, meu caro Poranga!

Mauro Mueller é apresentador do Show de Bola da Rede Massa, radialista e ator

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