Som Iguaçu x Campeonato Paranaense

03/02/16 às 00:00 - Atualizado às 10:14 Mauro Mueller | falecomomauro@yahoo.com.br

Quando eu apresentava um programa de vídeo clipes na televisão, não tinha MTV, não tinham muitos programas deste gênero e com o tempo, a evolução da televisão acabou me fazendo mudar o foco dos trabalhos, eu continuei no rádio e depois vieram a MTV e as TVs a Cabo, que deram à tevê aberta outra linha de programação.

Até hoje recebo mensagens de gente que assistia os programas que eu apresentei e muita gente pedindo para que o programa de vídeo clipes volte. Apesar de um grande sucesso da tevê, apesar de eu adorar lembrar que este programa foi marcante na minha vida, apesar dos excelentes resultados de audiência que ele tinha historicamente, o tempo passou e hoje eu não sei se um programa de vídeo clipes poderia ter aquele mesmo sucesso da década de noventa, porque a tevê deveria fazer uma série de pesquisas para viabilidade de um projeto como aquele, mas mesmo assim será difícil fazer voltar um programa, por mais sucesso que tenha feito no passado. As coisas crescem, as coisas mudam e voltar ao passado é legal, nas fotos, nas boas lembranças, mas é preciso evoluir e se modernizar.

Eu estou mencionando isto na semana de estréia do Campeonato Paranaense, quando a mão contrária do meu gosto pessoal, quem entende de futebol acredita que os estaduais estão com seus dias contados. Eu notei uma empolgação extra nas cidades do interior que tem seus clubes de futebol, casos de Londrina, Ponta Grossa, Foz, Maringá e vejo o grande trabalho feitos nestas cidades que acabaram tendo um bom resultado, até levantando a taça de Campeão Estadual, casos de Operário e Londrina. Mas, a falta de interesse das cidades do interior nos clubes de Curitiba, principalmente quando começam os Campeonatos Brasileiros das Séries A e B, em que os torcedores do interior do Paraná preferem torcer para os times de São Paulo, do que torcer para clubes da capital. O que faz só do Campeonato Paranaense um interesse a curto prazo.

A revelação de vários jogadores (posso escrever vários nomes, mas vamos somente falar de Rafinha e Fernandinho, que hoje jogam na Europa) vindos de clubes do Interior para a Capital e hoje brilham em clubes maiores do mundo, a revelação de jogadores que transitam no próprio estado por várias temporadas, como Safira, Ratinho, Germano, que tem uma identificação com o futebol paranaense, os profissionais de comissão técnica, preparação fisiológica, nutrição e demais setores que o futebol gera de empregos, o movimento de turistas, torcedores, tudo isto me faz acreditar que os campeonatos estaduais poderiam ser diferentes. São muitas pessoas dependendo de um trabalho que faz parte da paixão nacional, perdendo terreno com estádios vazios.

Eu costumo dizer que com o estádio cheio de torcedores, a tevê tem audiência, os jogadores se empolgam para jogar melhor e até o pipoqueiro do estádio ganha seu dinheirinho. Eu acredito nos estaduais como um torcedor do futebol do estado e acredito que ainda há chances de transformar um Campeonato Paranaense em um evento atrativo. Mas, se me convencerem ao longo dos anos que os estaduais estão fracassando, eu posso me convencer como fiz depois de parar de apresentar programas de vídeo clipes. O Som Iguaçu ficou na história da televisão paranaense e eu tenho o maior orgulho de ter sido um dos apresentadores de grande sucesso à frente deste projeto por sete anos. Mas, um dia ele acabou e eu estou aqui, trabalhando e amando o que faço.

Mauro Mueller é apresentador do Show de Bola da Rede Massa, radialista e ator

1 Comentário

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Márcio Anacleto
Grande Som Iguaçu, bons tempos. Já em relação ao nosso campeonato de futebol é necessário buscar alternativas contínuas para melhorar a qualidade do evento através de benchmarking. Aliás, os campeonatos regionais são mais tradicionais que o campeonato brasileiro. Além disso, os mesmos movem o futebol nas cidades do interior, ajudando a revelar novos talentos Brasil afora. Em vista disso, temos que valorizar o nosso Estadual para que o mesmo volte a ser competitivo e gere lucro, e, principalmente, incremente a presença de torcedores nos estádios, como fora até o início dos anos 90, os Atletibas, que chegavam a 50 mil torcedores. Porém, há também a questão do horário dos jogos, pois, jogos às 19:30 no sábado e domingo, ou, 22 horas de quarta-feira, fica difícil seduzir muitos torcedores nestes horários.
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