O melindre da adultescência

02/05/16 às 00:00 Ronise Vilela| ronisevilela@gmail.com

Não adianta franzir a testa e fazer de conta que não sabe o que é adultescência. É com você mesmo ai na faixa dos 30, 40 e quem sabe dos 50, que teria resquícios do complexo de Peter Pan (se recusar a crescer e viver na Terra do Nunca). Você é um adulto do século XXI, que disputa tecnologia, mercado de trabalho e quem sabe até o mesmo crush com seu filho ou sobrinho adolescente, porque a única coisa diferente no documento de identidade é o ano de nascimento e a responsabilidade de pagar as contas.

A adultescência não é pejorativa, ela é um retrato do fim da juventude; deriva da expressão inglesa Kidadults (fusão de das palavras crianças e adultos), um período que a vontade de ir ao um show de rock compete com o ciático e a lombar, que o porre tem que ser programado, que o cabelo azul que você sempre quis pintar, agora é tarde demais. Porém, não significa que você precisa se comportar com um senhorzão, mas há posturas já não tão toleráveis. Aliás, um paradoxo: você é maduro e intolerante. É sim, na maioria das vezes.

Ao assunto do melindre. Em uma breve pesquisa no Facebook, um post de minha autoria convidava meus seguidores a espontaneamente se manifestar sobre a seguinte questão: Numa situação de desentendimento, discordância de opiniões ou até mesmo severa contrariedade com amigo ou pessoa de seu círculo de relacionamentos, como você, adulto, costuma se comportar. Das 52 pessoas que se envolveram no assunto, 42,3% optaram pela alternativa A que era “eu procuro não dar importância”; 19,2% escolheram C “procuro uma ocasião propícia para discutir meu descontentamento; enquanto 14,2% foram taxativas e elegeram a questão B “eu reclamo na hora”. Os demais itens eram D “não tem perdão e solto os cachorros independente da conseqüência, com 3,8%; E “simplesmente apago da minha vida, sem quaisquer satisfações” (sem nenhuma escolha) e a opção F “outra alternativa que não seja nenhuma das citadas” - 7,6%. Vale ressaltar que os três primeiros itens foram escolhidos muitas vezes pela mesma pessoa dependendo da ocasião, ou seja, ela pode ignorar ou pedir satisfações. E ai reside o ponto da coluna, o melindre dessa geração adulta, que não aceita as diferenças ou pior, impõe sua opinião, seu time, sua bandeira num fanatismo burro e infantil.

Ontem era o impeachment, depois o clima (calor X frio) e amanhã certamente será a importância ou não do xadrez nas festas juninas. Ameaças de bloqueio e exclusão em redes sociais, discursos inflamados em bares ou nas reuniões informais com amigos, uma divisão de X e de Y ridícula, sem sentido, aquilo que nos bastidores chamamos de “5ª série”, uma alusão ao grau de maturidade nessa época da vida, onde os meninos diziam para outro “olha o avião”, ai o coleguinha mirava para o alto, enquanto o outro abaixava suas calças e disparava “caiu teu calção” – no entanto, a diferença era que isso terminava em risos.

Ronise Vilela é jornalista e ativista de redes sociais.

 

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