Precisamos falar sobre o clima...tério

04/07/16 às 00:00 Ronise Vilela

Nunca vou me esquecer quando estava chegando aos 30 anos, àquela fase de uma juventude no ponto, uma prima já experimentando os 40 disse: “não sei quem falou que a vida começa aos 40; vou falar a verdade, o cabelo resseca, a pela fica fininha, a gente vai ficando com um humor estranho, tomar vinho pode ser dor e delícia (mais geralmente é dor) e mesmo que você feche a boca, engorda 10 quilos ao ano”. Eu pensei que era uma fase ruim, uma amargura pessoal, mas vou te contar uma coisinha: isso é sinal do tal climatério, o prenuncio da menopausa, assunto mito ainda no século XXI. Mito mesmo, porque as mulheres ainda fazem ar blasé e relutam em aceitar o fatídico sinal do envelhecimento.

Muito se fala sobre envelhecer com alegria, quem envelhece é o espírito e todas essas coisas de revista, como se a vida da gente foi um editorial da Harper’s Bazaar. Feliz ou triste, bonita ou feia, pobre ou rica, vai chegar do dia do “clima”. A malemolência do corpo, a mente ainda a mil, mas a bunda pesa, os fios brancos se exibem e alvoroçam mais do que qualquer manifesto pró impeachment. C’est La Vie!

Não querida, você não morre, mas a sociedade ainda te mata com essa cultura cara de botox. E mesmo que a mulher tenha uma saúde de ferro, seja super ativa, de bem com a vida e os conceitos, o ginecologista (o profissional) vai fazer todos aqueles exames super confortáveis e vai de bônis, uma devassa na sua intimidade que nenhum marido, amante ou crush imaginou fazer:

1) Sente dor nas relações sexuais?
2) Calores?
3) Ressecamento vaginal?
4) Oscilações de humores?
5) Sem vontade de ter relações sexuais?
6) Fadiga?
7) Ganhou muito peso?
8) Reposição hormonal e ou tratamento holístico?
9) Aqui estão 134 exames para você fazer
10) Casos de câncer de mama ou colo de útero na família?

São as 10 mais perguntadas e você vai ter que ser sincera amiga! No frio de 2 graus, tira as meias pela madrugada. Demorou mais que um minuto para responder no Whatsapp você já está bufando. Sim, cada corpo é diferente, e tem gente que diz (eu duvido mesmo) que nunca sentiu nada disso. Embora eu ache um processo injusto, se a cabeça é boa, você leva na brincadeira e num texto para quebrar paradigmas.

 

Ronise Vilela é jornalista e ativista de redes sociais.

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