A reta final de preparação da Rio 2016, especialmente com a entrega da Vila Olímpica, vem sendo alvo de críticas desde a semana passada. Mas, críticas a cidades-sede dos Jogos Olímpicos não são exclusivas da edição brasileira da competição.

Londres também sofreu com problemas de última hora ao sediar a última edição do evento esportivo, há quatro anos. Imprevistos angustiaram os organizadores – a ponto de a imprensa local classificar a Olimpíada como um “fiasco” antes mesmo do início da competição. Diagnóstico que, ao final, acabou não se concretizando.

A BBC Brasil lista cinco dores de cabeça para a organização inglesa dos Jogos de 2012 às vésperas da sua abertura.

Segurança

Um dos maiores imprevistos envolveu a segurança do evento: uma semana antes do início da Olimpíada, a empresa contratada para fazer a vigilância informou que não conseguiria viabilizar o número necessário de funcionários.
Orçado em 284 milhões de libras (R$ 1,2 milhão, em valores atuais), o contrato previa a mobilização de mais de 10 mil guardas, mas a companhia de segurança G4S só foi capaz de fornecer 6 mil.
Qual foi a solução?
O governo teve de fazer uma convocação adicional de 4,7 mil militares para ajudar na segurança do evento. Ao todo, mais de 18 mil soldados das Forças Armadas atuaram na Olimpíada, mais do que o dobro do contingente do país no Afeganistão na ocasião.
Além disso, policiais em todo o país também tiveram de ser mobilizados às pressas.

Greves
Londres também teve de lidar com ameaças de greve durante a Olimpíada. Diversas categorias – como funcionários do metrô e dos trens, além de motoristas de ônibus – ameaçaram realizar paralisações por reajustes salariais e melhores condições de trabalho durante a realização do evento.

No aeroporto internacional de Heathrow, o mais importante do país, oficiais da alfândega convocaram uma greve no dia anterior à cerimônia de abertura. Eles argumentaram que, por causa de cortes de pessoal, não conseguiriam atender ao volume extra de passageiros durante os Jogos.

Filas no aeroporto
Um mês antes do início da Olimpíada, filas intermináveis na imigração do aeroporto de Heathrow – com tempo de espera médio de até 2,5 horas – alimentaram temores de uma “crise iminente”, como alertou na ocasião a BAA, consórcio que administra o espaço. “As filas de imigração para passageiros durante os horários de pico em Heathrow nos últimos dias foram inaceitavelmente longas e o Ministério do Interior deveria fornecer uma boa experiência para passageiros regulares e visitantes olímpicos”, informou a empresa em nota.

Transporte
Na quarta-feira anterior à abertura da Olimpíada, motoristas de Londres foram impedidos de trafegar por cerca de 45 km de vias. Autoridades também estabeleceram faixas prioritárias durante o evento esportivo – quem fosse flagrado usando as pistas poderia ser multado em até 200 libras (R$ 860). Houve ainda uma série de mudanças no trânsito. Semáforos, por exemplo, tiveram o temporizador alterado para facilitar o fluxo de veículos.
Por causa disso, as principais estradas em direção a Londres registraram longos engarrafamentos.

Dentro da cidade, alguns motoristas reclamaram da sinalização “confusa”. Segundo eles, certas pistas pareciam permanecer livres à circulação de todos os veículos enquanto placas traziam sinais “conflitantes”.

Vila Olímpica
A Vila Olímpica de Londres também foi alvo de críticas – embora em proporção diferente do Rio. Atletas dos EUA reclamaram que equipamentos de ar-condicionado estavam quebrados e que, por causa do verão europeu, estavam sofrendo com temperaturas que chegavam a 30°C.

Houve também queixa sobre o tamanho das camas, algumas das quais menores que os atletas. A remadora argentina Maria Gabriela Best, de 1,85m, disse que ficou com parte das pernas e os pés para fora, pois não cabia na estrutura. Apesar de críticas pontuais, todas as delegações permaneceram na Vila Olímpica.

A delegação indiana se disse insatisfeita com o tamanho dos quartos, onde, segundo ela, seus atletas “mal conseguiam se mover”. Antes da abertura oficial da Vila Olímpica, jornalistas convidados a visitar o espaço também relataram problemas de abastecimento de água.