BELA MEGALE
BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) – Interceptações telefônicas feitas pela Polícia Federal indicam que dívidas da campanha de Marconi Perillo (PSDB), eleito pela quarta vez governador de Goiás, foram pagas pelo esquema de frautes implantado na Saneago, empresa de saneamento do Estado.
Na quarta (24), foi deflagrada a Operação Decantação que investiga o desvio de R$ 4,5 milhões de dinheiro público da empresa que teria sido usado para financiamentos de campanhas eleitorais.
As obras que tiveram recursos desviados contaram com financiamento do PAC, BNDES e Caixa Econômica Federal, segundo a PF.
Um dos diálogos interceptados na operação aconteceu em outubro de 2015 entre José Cesario Lopes, empresário que representa a Gráfica Moura, usada na campanha de Perillo, e José Taveira Rocha, presidente da Saneago e ex-secretário da Fazenda de Perillo.
Na conversa sobre uma dívida de R$ 400 mil da campanha do governador de Goiás, Cesario diz que o dinheiro cobrado se refere a “campanha da gráfica do governador”.
Na conversa, o empresário solicita a Taveira Rocha que fale com o Afrêni Leite, presidente do PSDB de Goiás, para que ele pagasse o que devia à gráfica.
Os investigadores têm indícios de que Leite, que também é diretor de expansão da Saneago, destinou para o caixa do PSDB valores ilícios de contratos firmados com a empresa de esgoto que contavam com financiamento público.
OUTRO LADO
Por meio de nota, o PSDB disse que “confia na idoneidade do presidente Afrêni Gonçalves” e que tem contribuído com as investigações. Também afirmou que todas as doações de campanha do PSDB são legais e foram declaradas à Justiça Eleitoral, que as aprovou.
O governador de Goias Marconi Perillo não quis se manifestar.

DIÁLOGO
Cesário: deixa eu te falar… Você podia me fazer uma favor. O Afrêni tem que passar R$ 200 mil para a gráfica, e eu tô numa situação meio constrangedora lá na gráfica, certo. Você podia dar um empurrão nele para mim, fazendo o favor?
Taveira: Ele tem que pagar o quê?
Cesário: é o negócio do governador.
Taveira: hein?
Cesário: da campanha. É negócio do governador, da campanha.
Taveira: eu tenho que falar com quem… com…
Cesário: com Afrêni.
Taveira: pois é, mas o que ele tem que pagar você?
Cesário: R$ 200 mil.
Taveira: ah… sei… é de que isso?
Cesário: é da campanha da gráfica do governador.
Taveira: ah, sei, isso ficou para ele?
Cesário: ficou R$ 200 mil para ele.
Taveira: ahn…
Cesário: R$ 200 mil pro… pro… R$ 200 mil pro da Agetop.
Taveira: ahh
Cesário: e R$ 200 mil do Afrêni.
Taveira: então é R$ 400 mil?
Cesário: é.