A difícil arte de voltar a amar

05/09/16 às 00:00 - Atualizado às 09:23 Ronise Vilela

Quando definitivamente a porta se fecha, o espaço entre o interruptor de luz e a cama é infinito e oficialmente você começa a conjugar o verbo na primeira pessoa... do singular, a percepção de seu novo estado civil começa a se definir. Novamente solteira (o), com agendas sem precisar de carimbo e protocolo.
E assim como naquela fase em que você decide casar, quando há a separação, a chuva de conselhos só perde para regras de futura maternidade. Há quem diga para curtir o luto (eu hein!?), outros que o mundo está para ser vivido e “acabe-se!” (e a diferença é que pelo menos 20 anos se passaram) e os “crushes” de plantão aparecem para oficializar a “friendzone”.
Cada pessoa tem um período peculiar e isso tem uma variável maior, dependendo da relação (ou não) com o ex. Mas isso é carta fora do baralho, certo? Sendo assim, você começa a se deparar com um ser que já foi, mas não parece caber mais em quem é hoje.
Para quem nunca teve problemas em ficar sozinho, comer na mesa posta sem companhia é perfeitamente normal. Assim como dançar na sala, chorar no filme bobo, bater papo com o animal de estimação, sentir uma liberdade no dia em que os filhos passam fim de semana no outro lar e você fica meio barata tonta, daí resolve gastar seu domingo numa planilha de Excel.


Resgata os amigos em classes: casados, também separados (mas com novos parceiros) e aqueles que se mantiveram livres, leves e soltos. Caso você não disponha de um repertório variado, vai acabar na vala comum de falar do seu antigo relacionamentozzzzzzzz. Então siga a seta de comentar o novo clipe de um artista pop. E, por favor, saiba o nome do artista pop da vez, embora hoje ninguém tenha essa ligação com videoclipes, coisa de jovens oitentistas e que você delata a idade sem necessidade. Falar de Stranger Things é uma boa dica!


Mas o grande calcanhar de Aquiles é voltar a amar. Se a decisão é fechar para balanço, há o risco de cair no limbo, ou se manter nele, pois muitos relacionamentos são acomodados nessa zona suja, triste e mortos. Caso abra o coração para a primeira pessoa que passar na sua frente, pode ser divertido, uma decepção, apenas sexo, assim como era antes e você não lembrava mais disso. E tem aquela projeção de que finalmente sua alma gêmea vai aparecer, mas o seu detector não está mais na garantia, você não sabe mais como amar, ou pior, ser amado. Então algo que alguém me disse fez sentido: proponha-se!



Ronise Vilela é jornalista e ativista de redes sociais.

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