CLAYTON CASTELANI E FERNANDA BRIGATTI SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – O pente-fino que o INSS promove para cortar auxílios-doença e aposentadorias por invalidez está afetando quem precisa pedir correção nos valores de todos os tipos de benefícios previdenciários.

Em São Paulo, o tempo médio de espera por atendimento para revisão em um posto do INSS é de 102 dias. O prazo é mais do que o dobro do limite de 45 dias a partir dos quais o instituto é obrigado a pagar correção nos valores devidos em concessão ou revisão de benefício. Na agência Cidade Dutra (zona sul da capital), agendamentos feitos na semana passada eram marcados só para o final de março, segundo denúncia de um beneficiário.

Essa espera corresponde somente ao período em que o segurado precisa aguardar entre o pedido de revisão, feito pelo 135 ou no site www.inss.gov.br, e a entrega da documentação na agência. A revisão dos benefícios por incapacidade, citada pelo INSS como uma das causas para essa lentidão, é uma das ações do governo para reduzir os gastos da Previdência. O INSS planeja revisar 530 mil auxílios-doença. Também serão avaliadas 1,1 milhão de aposentadorias por invalidez de beneficiários com menos de 60 anos.

Com o cancelamento de benefícios considerados indevidos, o governo prevê uma economia de R$ 916 milhões ao ano. Quem recebe um benefício tem até dez anos, contados a partir do primeiro pagamento, para pedir análise e, caso tenha direito, a correção.

OUTRO LADO — O instituto informou que as solicitações estão demorando porque a prioridade “está sendo dada aos pedidos iniciais dos serviços do INSS e à revisão dos benefícios por incapacidade”. Segundo o órgão, se a revisão for aceita, os valores atrasados serão pagos retroativamente, com correção. “Durante a espera, o aposentado continua a receber seu pagamento normalmente”. A meta do INSS é reduzir para 68 dias o tempo de espera pelo atendimento.