Torcida abraça Juan. Coxa se abraça ao “contexto”

05/10/16 às 00:00 - Atualizado às 10:55 Eduardo Luiz Klisiewicz | osimprao@hotmail.com

A matemática ajuda, mas é pelo velho e bom contexto é que o Coritiba não só vai escapar com tranquilidade do rebaixamento, como irá beliscar um “algo a mais” no Brasileirão deste ano. Dos dez jogos restantes, o Coxa precisa de três vitórias. De 30 pontos, precisa de apenas nove. Com 45, tenho quase convicção de que os verdes escapam.

A evolução do time como TIME é evidente. A chegada de Paulo Cesar Carpegiani foi determinante. Ultrapassado ou não (tema do momento desde a entrevista de Vanderlei Luxemburgo ao Bem Amigos), o substituto de Pachequinho tem colhido os bons frutos que desabrocham a cada gol alviverde. Isso faz de Pachequinho um treinador ruim? Não. Faz então do Carpegiani um magnífico treinador? Também não. Então o que se passa? É o contexto.

Wilson é candidato a ídolo do Coxa, não só pela sua atuação primorosa na Sul-Americana, mas porque desde que assumiu a “1” tem sido uma cativante liderança. Juninho e Neri estão entrosados e representam um sistema defensivo equilibrado, com boa saída de bola. João Paulo e Alan Santos (este, por azar, lesionado) fazem bem a proteção e a ligação com o jovem Veiga e o experiente Juan, principal jogador do time na temporada. Tudo isso agindo de forma satisfatória e aparentemente harmônica, sob a influência direta de um clima político bem mais agradável.

“Ah!!! (você pensa). Uma eventual instabilidade político/administrativa não entra pra dentro do vestiário”. Faz-me rir, caboclo. Não só entra como “mete o pé na porta”.

“Esse ano esta um clima mais tranquilo dentro do clube. Todas aquelas questões políticas do ano passado foram resolvidas e consequentemente melhorou muito. E isso tem reflexo dentro de campo também”. Não sou eu quem está falando. As palavras foram me ditas pelo experiente Juan, de 34 anos, hoje uma das principais lideranças do Coritiba. Trazido ano passado por indicação de Ney Franco, ele teve dificuldade não só de se firmar, mas também de sustentar uma mudança de posição no conceito de jogo para enfim tornar-se imprescindível. Humilde, apesar da vitoriosa carreira, ele mantém o discurso de que o coletivo é mais importante que qualquer destaque individual.

Em conversa com Juan um dia após marcar dois dos três gols da vitória Coxa contra o América, ele me disse que a evolução do time ainda não lhes dá a confiança de trocar os objetivos imediatos do time no Brasileirão. “Esse é nossos primeiro objetivo. Ficando livres do rebaixamento, aí pensaremos em novos objetivos. Mas sonhamos alto. Depende da gente. O torcedor merece”.

A chegada de Carpegiani está diretamente ligada à evolução do Coxa na temporada. “Carpegiani chegou e conseguiu colocar a cara dele no time, fazendo com que joguemos como ele quer. Graças a Deus estamos melhorando e conseguindo uma sequencia boa de resultados”.

Juan prova a cada dia sua importância para o time e torna ainda mais incompreensível a atitude da diretoria, meses atrás, que o afastou por uma discussão com o então técnico Pachequinho. Ele reconheceu que errou e merecia punição, mas tirá-lo do time foi punir o próprio time, não o jogador. Com Juan em campo, a meta de 9 pontos hoje poderia ser menor, mas isso tudo depende do “se” e o “se” nem entra em campo, nem ganha jogo.

Agora, “se” o Coritiba confirmar a fuga do rebaixamento e “se” brigar por uma vaga na Libertadores, muito será pela qualidade técnica que Juan trouxe ao time. Pensando num 2017 mais calmo seria bom chamar Juan para uma conversinha. Seu contrato termina em dezembro deste ano.

Eduardo Luiz Klisiewicz é curitibano, jornalista, radialista e empresário.

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