Um ano pra esquecer na Vila Capanema

16/11/16 às 00:00 - Atualizado às 14:47 Eduardo Luiz Klisiewicz | osimprao@hotmail.com

“Saco cheio” já nem é mais um termo utilizado pelo torcedor do Paraná Clube para explicar seus sentimentos em relação aos sucessivos fracassos do time dentro das quatro linhas. “Larguei os betes” seria algo mais apropriado após mais um ano não só na série B do Brasileirão, mas também brigando contra o rebaixamento para a Série C.

O que falar para o torcedor? Confesso que deve ser difícil montar um discurso que não caia no ridículo já nas primeiras linhas.
Eleita sob a bandeira da revolução, do fim dos times medíocres, do equilíbrio nas contas e do velho “pé no chão”, a diretoria atual sentiu o péssimo gosto do fracasso ao não conseguir levar o time para a elite. Errou bastante, acertou um pouquinho. A conta pendeu pro lado ruim.

O acesso já no primeiro ano de mandato não foi uma das promessas de Leonardo Oliveira durante sua pequena campanha, nem após a vitória – eu estava lá, na posse, e testemunho que não foram feitas promessas. Contudo duvido que qualquer um deles esperasse um final tão melancólico para 2016.

O torcedor, pra falar bem a verdade, tá operando no modo “o que vier é lucro, desde que não seja rebaixado” há bastante tempo. Se antes o time era bom, os salários atrasados ferravam com tudo. Se o salário tá em dia – e olhe que assim permaneceu durante quase toda a gestão atual – o time não ornou dentro de campo.

O “modelo Vavá” de fazer futebol, apontado como a solução dos problemas, também não funcionou. É ineficiente nos dias atuais. Linguajar de boleiro, promessas mirabolantes e contratos fechados na mesa de um boteco já não produzem mais os mesmos resultados de outrora. O futebol moderno não permite mais coisas do tipo. Apesar de alguns acertos, o conjunto da obra ficou prejudicado justamente pela personalidade forte e contestável do ex-atual-ex-diretor-ex-afastado.

A demissão de Claudinei Oliveira segue como o grande erro da atual gestão. Pode até ser coincidência que o time que ele comanda atualmente esteja bem mais próximo do acesso que o Paraná jamais esteve, mas o conhecimento de futebol que o ex-treinador tem, além do bom clima de vestiário, está muito à frente dos seus sucessores.

Cumprir tabela nas duas rodadas que restam na Série B jamais deveria ser motivo de alegria ou mesmo alívio, mas sim de vergonha. Não acho que os dirigentes estejam satisfeitos, é óbvio, mas é muito pouco por toda a expectativa que eles mesmos criaram. Time competitivo, equilíbrio financeiro, resolução de problemas da Kennedy, Ninho, Vilas Capanema e Olímpica.

É sabido, embora ignorado às vezes, que administrar um clube de futebol é tarefa para poucos. É muita coisa envolvida, mas é extremamente necessário ter sabedoria para saber como lidar com problemas, dificuldades e até eventuais conquistas com serenidade e, acima de tudo, transparência e humildade.

O mínimo que o torcedor espera é um “Desculpe-nos” ou coisa que o valha, por nota oficial ou discurso em praça pública, por mais um ano de campanha pífia. O torcedor é (quase sempre) inteligente e sabe identificar boa vontade e sinceridade nas palavras de seu presidente. Assim como apostou na atual gestão nas eleições, ele precisa sentir que ainda confia nessa gestão.

Para que isso aconteça, é preciso que o presidente Leonardo Oliveira venha até o torcedor e fale diretamente a ele, de cara limpa e munido de todos os argumentos necessários para reconquistar essa confiança aos poucos perdida.
Prometer um bom paranaense e um time competitivo para 2017 até eu prometo. É preciso realizar, fazer diferente, sair do lugar comum. Provocar, inovar, fazer diferente. Ninguém aguenta o mais do mesmo de sempre.

Eduardo Luiz Klisiewicz é curitibano, jornalista, radialista e empresário.

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