O não de Carpegiani

16/11/16 às 23:55 - Atualizado às 17:14 Napoleão de Almeida | Twitter: @napoalmeida

Paulo Cesar Carpegiani é um bom técnico. Não é imprescindível na caminhada do Coritiba em 2017. O mercado pode oferecer melhores opções, e dizer isso não é negar o bom trabalho que ele fez no clube ao resgatar o time de um rebaixamento que parecia real. Ao vencer o Santa Cruz ontem, Carpegiani encerrou sua missão no Coxa já deixando claro nos últimos dias que não pretende seguir em 2017. Mas o não mais importante Carpegiani não deu ao Coritiba, mas sim ao estado de coisas no futebol Brasileiro. “Estaduais não me atraem”, disse ao colega Alexandre Praetzel. Nem a ele, nem ao próprio Coritiba ou seus torcedores. Carpegiani deu um não ao calendário brasileiro, que vai sufocar os grandes e não atender os pequenos por três meses em 2017.

Libertadores: Mais sorte que juízo
Rafael Moura marcou por dois Furacões aos 48 do 2º em Floripa. Pelo do Estreito, que defende hoje, e pelo da Baixada, que defendeu em 2008. O gol do Figueirense conta o Corinthians manteve o Atlético no G6. Dizer que é só sorte é negar a belíssima campanha em casa, mas o Atlético teve mais sorte que juízo no Rio, e o empate com o Fluminense coloca o time em uma posição muito confortável para a Libertadores. Segurar o Tricolor do Rio foi fundamental para reduzir a concorrência, limitada agora ao Corinthians – o Grêmio é quase um aliado, pois se estiver a frente, abre o G7 já contando a presença garantida do Atlético-MG no G6. Assim sendo, o Furacão praticamente depende de duas vitórias em casa contra Sport e Flamengo para chegar lá, e poderá até empatar contra o Corinthians em São Paulo que se classifica. Se perder, ainda assim pode entrar: todo atleticano terá que torcer para o xará mineiro na final da Copa. Restando dois jogos em casa, manter o retrospecto na Arena pode classificar o time mesmo com a pior campanha da história como visitante. Tá ruim, mas tá bom.

Pelo fim do STJD
Patética a punição imposta ao Grêmio pelo STJD por conta da invasão de campo de Carol Portaluppi, filha de Renato Gaúcho, ao final do jogo contra o Cruzeiro, para abraçar o pai e comemorar a vaga. Sim, Carol não deveria estar ali e o Grêmio é reincidente, precisava ser punido. Mas o que chama a atenção é o rigor exagerado em tirar dos gaúchos o direito de decidir um título nacional em casa, na desproporção das penas impostas a Palmeiras, Flamengo e Corinthians após pancadaria de suas torcidas nas arquibancadas. Ora!, se a invasão da menina é passível de perda de mando, o que dizer da constante violência das organizadas desses clubes, muitas das quais (exceção ao Palmeiras) recebem guarida de suas diretorias? Será que o STJD não tem régua para medir a absurda diferença entre a irregularidade gaúcha e a violência entre paulistas e cariocas no Maracanã? Quem iria fechar os portões da Arena Corinthians nessa reta final de campeonato? Mais fácil desafiar o Grêmio, que tem culpa, mas num caso incomparavelmente mais suave que o citado. Acharão algum artigo do CBJD que justifique a punição. Não basta: se a lei não é justa, está errada. Não se pode tolerar tamanha diferença entre punições. Mas não é a primeira do STJD, um circo montado para deixar gatilhos no ar nas mãos dos donos do jogo. Em qualquer liga de sucesso pelo Mundo, as punições são claras e previstas no regulamento, dispensando julgamentos posteriores. Não existem tribunais com a pantomima que transforma advogados em astros. Pela enésima vez, o STJD rouba a cena. Rouba também o interesse do torcedor em ver futebol. Pobre torcedor, que insiste em acreditar que fora de campo a CBF seja mesmo “o Brasil que deu certo”.

Napoleão de Almeida é narrador esportivo e jornalista especializado em gestão

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