Se a grama não cresce, o Atlético decola

23/11/16 às 00:00 - Atualizado às 07:57 Eduardo Luiz Klisiewicz | osimprao@hotmail.com

Atleticanos, meus queridos, não se irritem com eventuais piadas ou desculpas esfarrapadas dos adversários que levam chinelada na Arena da Baixada. Deem risada. Culpar o gramado é a saída mais fácil para as atuações fracas de times mal montados, sem equilíbrio psicológico e jogadores sem alma. Os rubro-negros têm mesmo é que jogar na cara dos cornetas que o “Caldeirão voltou”. Azar daqueles que não tem um alçapão para chamar de seu. É a sua hora de rir de todos eles.

Nos últimos anos, as atuações desastrosas dentro da Arena tornaram a vida de quem administrou o clube num verdadeiro inferno. Hoje o Atlético sobra em casa. Nessa hora o torcedor tem memória fraca e esquece facilmente qualquer atitude polêmica tomada por seus dirigentes se as vitórias vierem, especialmente em casa. Não tem nariz torcido que resista a uma sequência de bons resultados na Arena.

Sem medo de parecer exagerado, digo com a tranquilidade de quem já viajou o Brasil inteiro cobrindo o Furacão: a mística do caldeirão é mais famosa e mete muito mais medo nos adversários que o próprio Atlético.

Por ser vanguarda no quesito estádio de futebol e suas modernidades, o Atlético e sua diretoria – especificamente Mario Celso Petraglia – souberam usar isso a seu favor durante muitos anos. No entanto, os tijolos não conseguiram bancar as chuteiras por muito mais tempo, pois a falta de dinheiro e até ousadia jogaram a força atleticana no limpo do “comunzinho futebol clube”.

Os anos jogando como cigano coincidiram com aqueles times fracos e mal dirigidos que as diretorias montaram. A falta de filosofia do futebol cobrou o seu preço e no pós Copa não teve empolgação que resistisse. A verdade veio à tona e ficou escancarado que o modelo vigente precisava de uma mudança. Jogar na Arena apenas por jogar não representava vantagem alguma para o Atlético e temor nenhum para os adversários.

Foi então que o Atlético pôs a mão no bolso, mas dessa vez não foi para erguer nenhuma parede. Os tijolos foram para apostar numa gestão profissional de grupo, não de departamento. Mais do que alguém com know how internacional em futebol, o Atlético apostou em um “manager de gente”. Embora Paulo Autuori não esteja na minha lista de treinadores preferidos, é dele o mérito de reposicionar o Atlético no cenário brasileiro. Com estrutura e time bem estruturado (tática e psicologicamente), ficou tudo mais fácil.

Colocar a excepcional campanha do time na Arena na conta do gramado artificial é mais do que errado (injusto, se preferirem uma análise mais passional). É fácil demais, coisa de preguiçoso, de quem tem visão seletiva.

O Atlético é um time diferente em sua essência. Ao blindar o elenco de eventuais interferências externas, Autuori conseguiu inspirar a confiança de torcedores e jogadores, além de despertar certa preocupação nos adversários.

Não se ouve da boca de jogadores, treinadores ou até presidentes de outros clubes reclamações sobre o gramado da Arena. Isso tá na boca dos analistas, jornalistas, comentaristas e malabaristas da informação.

A boa fase do Atlético se justifica pela capacidade do Atlético em transformar o receio e a desconfiança dos adversários em combustível para sua disciplina tática. Ajustado, tem conseguido aproveitar as oportunidades que cria.

Mas e quanto à desastrosa campanha fora de casa? Eis aí o desafio para a próxima temporada. Se não fosse tão ruim, com atuações fracas e por vezes quase displicentes, o resultado poderia ser outro. Ser um bom visitante é que faz um time campeão. O equilíbrio é que pode transformar o Atlético num time grande, bem do tamanho que Petraglia acha que ele tem faz uns dez anos, mas que ainda não tem.

Eduardo Luiz Klisiewicz é curitibano, jornalista, radialista e empresário.

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