Quem fala por impulso corre mais riscos de expressar preconceitos

26/12/16 às 00:00 Adriane Werner

Por diversas vezes tenho abordado o problema de expressarmos nossos mais íntimos preconceitos ou os comentários mais infelizes simplesmente porque falamos por impulso, sem nos dar o tempo necessário para medir as consequências das palavras que proferimos. Mas como o problema é realmente recorrente, abordo aqui alguns dos exemplos que tenho ouvido, como forma de alertar mais uma vez para o risco de perdermos clientes, negócios e amigos ao darmos vazão à fluência verbal desmedida.

Um dos casos que mais me chamaram atenção foi a história contada por uma jovem que trabalhava como secretária do presidente de uma grande indústria multinacional com sede no Brasil. O chefe era alemão e os dois, como já trabalhavam há um certo tempo juntos, desenvolveram intimidade suficiente para conversarem em linguagem informal. Porém, conversar descontraidamente não significa liberdade total para falar o que quiser, até ferindo sentimentos sem perceber.

Pois foi o que aconteceu. A moça contou que um dia o chefe chegou com uma caixa muito pesada e fez mil recomendações para que ela cuidasse do embrulho como se fosse um tesouro, não deixasse ninguém chegar perto, não abrisse, etc. O tempo passou e a curiosidade foi aumentando, até que um dia, lembrando do quanto a caixa era pesada, ela repetiu uma antiga brincadeira que ouvia em casa: “Fulano, o que tanto você carrega nesta caixa? Por acaso tem um judeu morto aí dentro?”

Assim que terminou de pronunciar a frase, a jovem profissional percebeu o cunho preconceituoso da brincadeira que ela até então julgava inocente. Deu-se conta de que o chefe era alemão e lembrou-se de toda a dura história de massacre aos judeus que ainda hoje pesa sobre todo o povo alemão. Mas a palavra proferida não volta, e não há nada que se possa fazer para amenizar a gravidade de uma brincadeira infeliz depois que ela já foi feita, a não ser assumir o erro e pedir desculpas.

Vivemos na sociedade do “politicamente correto” e muitas coisas que falamos podem ser interpretadas como preconceituosas ou discriminatórias. Por isso, todo o cuidado é pouco. Todo mundo gosta de conviver com pessoas bem humoradas e brincalhonas, mas não podemos perder de vista o limite entre o descontraído, o engraçado e o agressivo. Brincadeira tem hora. Tem lugar, tem situação e tem a pessoa certa. Se errarmos em algum desses pontos, podemos por tudo a perder.

Adaptado do livro “Etiqueta Social e Empresarial”, de Adriane Werner – editora InterSaberes

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