Desastres e acidentes

31/01/17 às 00:00 Por Wanda Camargo | assessoria@unibrasil.com.br

Fatalidade deriva de fatal, inevitável, e tem também certo sentido de imprevisível. No entanto, à ocorrência de cada desgraça devida a fatores normalmente evitáveis e previsíveis, somos condenados a ouvir alguém declarar candidamente que se tratou de “uma fatalidade”. Assim é que o motorista que se embriaga e/ou dirige perigosamente, causando acidente, atribui o evento à fatalidade. Os ocupantes de cargos públicos levam esta arte ao paroxismo: desabou um viaduto? Fatalidade, antes mesmo de ser feita qualquer perícia no projeto e execução; a enchente de todo começo de ano causou vítimas e perdas materiais? Fatalidade, a ausência de limpeza de galerias e execução de obras já previstas parece não ter nenhuma influência no incidente; os serviços públicos entram em colapso devido aos gastos irresponsáveis do “gestor”? Fatalidade com certeza. Aparentemente, incúria, desídia, incompetência, desinteresse, corrupção nada têm a ver com suas consequências; tudo será sempre culpa de um acaso incontrolável.

Sempre foi bastante comum nos referirmos a desastres, tragédias, catástrofes, como se fossem sinônimos ao comentarmos eventos destrutivos, no âmbito individual ou coletivo. Recentemente fomos forçados a reconsiderar estes termos, pois mesmo fenômenos naturais tem tido resultados diferentes em comunidades, dependendo do grau de urbanização, da preservação de seu meio ambiente, do nível educacional de sua população.

Eventos naturais, como secas, deslizamentos, chuvas, verdadeiras fatalidades, são passíveis de transformar-se em desastres pavorosos se a vulnerabilidade das populações atingidas for grande, muitas delas ficarão desabrigadas, a fome e as doenças costumam acompanhar tais acontecimentos; da mesma forma a violência urbana, os excessos de acidentes automobilísticos, a degradação ambiental provocada pela ação humana e a intensificação da urbanização que vem ocorrendo nos últimos trinta ou quarenta anos.

Para que desastres possam ser minimizados, a consciência e escolha da população são essenciais, se a comunidade pode coletar, selecionar e principalmente organizar informações, poderá com eficiência tomar uma boa decisão e consequentemente uma ação inteligente, a interferência do individuo na prevenção de problemas está na proporção direta de sua capacidade cognitiva.

Medo e pânico são maus conselheiros, e poucos tem a resiliência indispensável para enfrentá-los se o sistema educativo não prepara a todos para a compreensão tanto de si mesmo, quanto dos demais. Desastre é um conceito impreciso, pois nele interferem contextos políticos, sociais e econômicos, o comportamento dos envolvidos dependerá de todas estas características em conjunto, e hoje em dia, com os recursos tecnológicos existentes, a própria difusão pelos meios de comunicação, se por um lado informa, por outro transmite uma sensação de insegurança e temor, atingindo a percepção de que algo semelhante irá ocorrer a qualquer momento também conosco ou com aqueles que nos são próximos.

Hoje são muitas as áreas acadêmicas voltadas a estas questões, em cursos como Psicologia, Administração, Enfermagem, Nutrição e vários outros. Além da Defesa Civil, disponibilizada como “conjunto de ações de prevenção e de socorro, assistenciais e reconstrutivas, destinadas a evitar ou minimizar os desastres, preservar a integridade física e moral da população, bem como restabelecer a normalidade social”, e normalmente provida pelo poder executivo municipal, também a escolas de ensino superior tem tido como meta a formação de pessoas capazes de prevenir e dar respostas adequadas frente a um desastre, e analisar com cuidado as questões de prevenção, é no período normalidade que se pode reduzir a incidência de catastrofes, minimizando danos e prejuízos que costumam advir.

Wanda Camargo – educadora e assessora da presidência do Complexo de Ensino Superior do Brasil – UniBrasil.

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