Meu sonho tem o tamanho que eu quiser

01/02/17 às 00:00 - Atualizado às 17:08 Eduardo Luiz Klisiewicz

Passo a passo, conquista após conquista, decisão polêmica sobre decisão polêmica, devagarinho ante a pressa absurda da torcida, o Atlético vai crescendo. Nesta quarta-feira o Furacão dá início a mais uma jornada que pode levá-lo e elevá-lo a um patamar de time grande. Nacionalmente grande. No estado do Paraná, ele sobra, pra desespero dos haters e, pior, inveja de rivais que pouco fazem para acompanhá-lo nessa escalada.

O jogo contra o Millonarios, da Colômbia, é a primeira das 18 possíveis batalhas que o time pode enfrentar até uma eventual final da Copa Libertadores 2017. Pela frieza formal do regulamento e dependendo obviamente de suas atuações nas duas primeiras rodadas, o sonho de conquistar a América pode ser adiado mais uma vez. Mas não há atleticano que não acredite em vitórias e classificações fase por fase.

Aí o leitor acredita, porque você acha que o Atlético pode ser campeão da Libertadores? Argumente.

Eu respondo de bate-pronto: Porque você acha que o Atlético NÃO pode ser campeão da Libertadores:? Contra-argumente.
Uso pra fundamentar a minha argumentação algo muito comum no futebol, mas pouco levada a sério cientificamente: a magia da bola, a sinergia do momento. Só ela não é capaz de levar uma equipe a conquistas históricas, mas sem ela não há taça que se acomode nas mãos frias de um time sem alma. E o Atlético está num momento único. Você duvida? Converse cinco minutos com qualquer torcedor atleticano que você vai mudar de ideia.

Uma grande estrutura, uma boa base, a Nova Arena, o novo gramado, o “novo” comando, um time com qualidade, garra e personalidade. Ao longo dos últimos anos esses ingredientes, tudo isso que torna o futebol em algo tão complexo, foi entrando em sintonia e trouxe o Furacão até este momento.

Paulo Autuori se tornou o símbolo deste novo Atlético. Um gestor, com opinião e ousadia, além de autonomia e respeito por parte da direção, ele conseguiu transformar o time numa engrenagem perfeita dentro de suas próprias limitações. Com o apoio de líderes positivos como Weverton, Paulo André, Thiago Heleno e Hernani, num mix equilibrado de emoção, cérebro, força e juventude, o time foi montado para enfrentar desafios com graus diferentes de dificuldades.

Este ano sem Hernani, mas com reforços como Felipe Gedóz, Grafite e Luis Henrique, além de uma nova boa leva de pás revelados no CT do Caju, o time ganha corpo, fôlego e experiencia para evoluir ainda mais.

Apoiados por uma estrutura física única, com segurança administrativa/financeira, o time se desenvolveu e atingiu um grau interessante de maturidade. Ajudados pelo gramado sintético, aliado de inquestionável relevância nessa caminhada, o Atlético se transformou num time a ser batido. Que pode ser batido frise-se, mas que hoje vende caro uma derrota.

Obviamente o time não está tecnicamente pronto e precisa evoluir. O primeiro teste, amistoso contra o Peñarol, não deixou uma boa impressão. Como a fase classificatória não dá margem para erros, afinal dois tropeços podem causar a eliminação do time, é preciso por em campo muito daquela alma, aquela coisa sobrenatural que mencionei.

As dificuldades, é claro, não param por aí. Se a classificação vier o Furacão terá que encarar o dificílimo grupo 4, com Flamengo, San Lorenzo (ARG) e Universidade Católica (CHI). É apontado como o mais complicado dos grupos. Se avançar, o céu será o limite para o Rubro-Negro.

Meu otimismo natural põe o Atlético em pé de igualdade com outras equipes com potencial de chegar à decisão da Libertadores. A razão, a realidade dos fatos, nos permite sonhar que tudo isso é possível. A ansiedade e a expectativa criadas e cultivadas por todos nós deixam 2017 um ano com potencial de se tornar inesquecível.

Espero e torço para que os jogadores nos ajudem a tornar tudo isso realidade.

Eduardo Luiz Klisiewicz é curitibano, jornalista, radialista e empresário - osimprao@hotmail.com

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