Operação contra fraude em frigoríficos envolve assessores de mais dois deputados do PR

17/03/17 às 11:37 - Atualizado às 13:56 Redação Bem Paraná com informações da Folhapress
João Arruda: assessor aparece em gravação chamando fiscal "linha-dura" de "capeta"

Além do ministro da Justiça e deputado federal licenciado Osmar Serraglio (PMDB), outros dois deputados federais do Paraná foram envolvidos, através de assessores, na investigação da operação "Carne Fraca", deflagrada pela Polícia Federal hoje para apurar um esquema venda ilegal de carnes por frigoríficos por meio do pagamento de propina a fiscais agropecuários. Assessor do deputado federal João Arruda (PMDB), Heuler Iuri Martins foi interceptado em gravações demonstrando interferir em prol dos interesses de frigoríficos no afastamento de fiscais que se demonstravam rigor nas fiscalizações.

Um dos fiscais linha-dura é chamado de "capeta" por Martins. Ronaldo Troncha, assessor de outro deputado federal paranaense Sérgio Souza (PMDB), também aparece nas gravações. Ele demonstra proximidade com um dos fiscais investigados, Daniel Gonçalves Filho, e chega a receber o login e senha do servidor para acessar o sistema de procedimentos administrativos do Ministério da Agricultura.

Troncha ainda recebeu duas transferências, no valor total de R$ 10 mil, de Gonçalves Filho, entre 2009 e 2011. A suspeita, segundo a PF, é que ele atue em defesa dos frigoríficos, em parceria com o fiscal.

Os dois assessores parlamentares foram alvos de medidas de condução coercitiva e busca e apreensão nesta sexta (17). O juiz Marcos Josegrei da Silva, porém, descartou a participação dos deputados, a princípio. "A atuação de deputados nas atividades administrativas do ministério não é clara, sendo possível, e até ínsita ao seu múnus público, a ingerência na estruturação de atividades e composição de órgãos públicos, desde que dentro da legalidade de suas atribuições", afirma Josegrei.

Em nota, o deputado Sérgio Souza esclareceu hoje que Ronaldo Troncha, que aparece nas gravações que desencadearam a Operação Carne Fraca da Polícia Federal, não é mais seu assessor desde o ano passado, e que os fatos datam da época em que o mesmo não trabalhava em seu gabinete. “No período que foi assessor, Ronaldo desempenhou suas funções com dedicação e, até onde o conheço, é pessoa ilibada e responsável ”, afirmou o parlamentar.

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