Lobo-guará é fotografado em Área de Proteção Ambiental ameaçada

29/03/17 às 00:00 Por Ceres Battistelli | cerestb@gmail.com
O registro raro de um lobo-guará em Tibagi, na região dos Campos Gerais, mostra que a espécie tem resistido à substituição de seu habitat por plantações, um dos principais fatores responsáveis pela queda na população (foto: Romulo Silva)

Em perigo de extinção, o lobo-guará (Chrysocyon brachyurus) é a maior espécie de canídeo da América do Sul. Animal símbolo do Cerrado, ele é encontrado em menor quantidade em regiões do Pantanal, Caatinga, Mata Atlântica e está quase extinto dos Pampas gaúchos. O registro raro de um lobo-guará em Tibagi, na região dos Campos Gerais, mostra que a espécie tem resistido à substituição de seu habitat por plantações, um dos principais fatores responsáveis pela queda na população.

O mamífero foi fotografado dentro da Área de Proteção Ambiental (APA) da Escarpa Devoniana, que preserva remanescentes de Floresta com Araucárias e Campos Naturais. A APA pode perder até 70% de sua área, caso seja aprovado um projeto de lei que tramita na Assembleia Legislativa do Paraná. O PL 527/2016 prevê a retirada de 2,6 mil quilômetros quadrados da APA da Escarpa Devoniana. Especialistas acreditam que a redução da área de proteção pode agravar o processo de degradação da biodiversidade nativa da escarpa e colocar em risco muitas espécies de plantas e animais, dentre eles o lobo-guará.

Escarpa Devoniana em risco
A formação geológica que corta o estado do Paraná divide o primeiro e o segundo planaltos paranaenses. A Escarpa Devoniana abriga remanescentes de vegetação nativa associada à Mata Atlântica e afloramentos rochosos importantes como o Canyon do Guartelá e o Buraco do Padre. A rocha que sustenta a escarpa formou-se há 400 milhões de anos, no período devoniano. Para proteger a diversidade biológica e geológica da região, foi criada, em 1992, a Área de Proteção Ambiental da Escarpa Devoniana. Originalmente com 3.920 km², a área começa na Lapa (PR) e se estende até a divisa com o estado de São Paulo, passando por 12 municípios paranaenses. Nove parques naturais estão dentro da APA, fato que atrai um grande número de turistas.

O diretor executivo da Sociedade de Pesquisa em Vida Selvagem e Educação Ambiental (SPVS), Clóvis Borges, argumenta que a APA permite que sejam praticadas atividades agropecuárias, desde que respeitados o plano de manejo e a legislação vigente. “Sem qualquer implicação sobre o direito à posse das propriedades existentes na região, a APA simplesmente reconhece que essa é uma porção especial do Paraná e que merece os cuidados mínimos”, diz Borges.

Ministro defende recomposição de florestas
O ministro do Meio Ambiente, Sarney Filho, afirmou no último dia 24 de abril, em São Luís (MA), que o ministério está investindo em programas de recomposição de florestas e de proteção de nascentes para enfrentar a crise hídrica no país. Entre as iniciativas, ele destacou a importância do Cadastro Ambiental Rural (CAR), que permite o mapeamento de áreas de preservação permanente em todas as propriedades rurais do país.

Zoológico de Curitiba comemora 35 anos
O Zoológico de Curitiba completou 35 anos, no último dia 28 de abril. A comemorações foram acompanhadas pelas crianças de três escolas da cidade. A presença dos alunos teve também um cunho ambiental, mostrando para os jovens como a Prefeitura cuida dos animais do zoológico.

Colheita e venda do pinhão são proibidas até sexta-feira no Paraná
O Instituto Ambiental do Paraná (IAP) alerta a população que a colheita e a comercialização do Pinhão estarão permitidas somente a partir de sábado (1º). Antes desta data, qualquer atividade envolvendo a semente está proibida, incluindo o transporte e o armazenamento. A data é estabelecida pela portaria nº 046/2015 do Instituto, que tem como objetivo garantir a maturação do pinhão e a continuidade da araucária no Estado. É nesta época do ano que as pinhas amadurecem para a reprodução da espécie. A fauna também se alimenta da semente.

Parque de Vila Velha tem novos dias para visitação
O Parque Estadual de Vila Velha, em Ponta Grossa, passará a receber visitantes apenas nos finais de semana (6ª, sábado e domingo) e feriados. A mudança passa a valer no próximo dia 03 de abril e visa atender necessidade recuperação ambiental em áreas próximas às trilhas e segurança dos visitantes.

De acordo com informações do Instituto Ambiental do Paraná (IAP), responsável pela Unidade de Conservação, será feito trabalho de recuperação ambiental com a retirada de espécies exóticas invasoras, que prejudica o desenvolvimento das nativas, e de recuperação de áreas degradadas com o uso e com o tempo. Durante esse período, grupos com o agendamento feito por e-mail, com dez dias de antecedência, e guias cadastrados no Núcleo de Guias de Turismo de Ponta Grossa poderão continuar visitando o local independentemente dos dias para visitação.

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